12fev/20

‘‘Bexiga Fraca’’ é consequência da HPB

O processo de envelhecimento também contribui negativamente para a função da bexiga

O aumento benigno da próstata (HBP) é uma condição muito frequente na população masculina. Sabe-se que fatores hormonais e genéticos estão relacionados à ocorrência do aumento da próstata ao longo da vida do homem. Estima-se que 40% dos indivíduos na faixa etária entre 60 e 70 anos irão apresentar sintomas urinários em decorrência desse aumento. Isso ocorre porque o canal da urina (uretra) passa através da próstata, levando a urina da bexiga até o meio externo.

“A chamada ‘bexiga fraca’ é uma complicação de difícil tratamento, que pode ser consequência da obstrução crônica gerada pelo aumento benigno da próstata e também pode estar relacionada ao processo de envelhecimento da bexiga”

O aumento do volume da parte mais interna da próstata pode dificultar a passagem da urina e o esvaziamento da bexiga, causando obstrução ao fluxo urinário. Os sintomas mais comumente relatados pelas pessoas que sofrem com essa situação incluem:

jato urinário fraco
jato interrompido ou dividido
sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
necessidade de ir muitas vezes ao banheiro durante o dia ou à noite
e gotejamento de urina ao final da micção.
Esses sintomas podem causar prejuízo significativo na qualidade de vida.

Felizmente, há diversos medicamentos disponíveis para o tratamento dos sintomas urinários gerados pelo aumento da próstata. Esses medicamentos podem propiciar melhora do fluxo urinário, facilitar o esvaziamento da bexiga e até mesmo reduzir o volume da próstata.

O médico urologista é o profissional habilitado para avaliar qual o melhor tratamento para cada caso. Essa escolha depende basicamente do tamanho da próstata, da gravidade dos sintomas e do risco de complicações associadas ao aumento benigno. Quando os medicamentos não são efetivos na melhora dos sintomas urinários (ou quando o paciente opta por não usar medicamentos), existe também a possibilidade de considerar tratamento cirúrgico. Existem várias técnicas minimamente invasivas que podem ser indicadas neste contexto. Essas técnicas promovem a remoção da parte mais interna da próstata, facilitando o esvaziamento da bexiga no pós-operatório, com período mínimo de internação hospitalar na maioria dos casos.

Tendo em vista que os sintomas urinários são progressivos (isto é, pioram ao longo dos anos), os homens costumam se adaptar a essa situação através de idas mais frequentes ao banheiro e com restrição da ingesta de líquidos, evitando, assim, procurar auxílio médico. Essa é uma conduta desaconselhável, pois existe um risco de prejuízo à função da bexiga ao longo do curso da doença. A chamada “bexiga fraca” é uma complicação de difícil tratamento, que pode ser consequência da obstrução crônica gerada pelo aumento benigno da próstata e também pode estar relacionada ao processo de envelhecimento da bexiga. Dependendo do grau de comprometimento da bexiga, mesmo após tratamento cirúrgico, o jato urinário pode permanecer fraco.

Desta forma, ressalta-se a importância da avaliação urológica precoce para definir a melhor estratégia de tratamento e para prevenir complicações relacionadas ao aumento benigno da próstata. Prevenir é melhor do que remediar. Procure o seu urologista!

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

05fev/20

Câncer de pênis: um problema brasileiro

Doença pode ser evitada com higiene adequada, prevenção de DSTs e tratamento da fimose

O câncer de pênis constitui neoplasia rara em países desenvolvidos, contrariamente ao que ocorre em regiões de baixo padrão socioeconômico como Paraguai, norte da Argentina, norte e nordeste do Brasil e alguns países da África e Ásia. Acometem em geral indivíduos com mais de 50 anos de idade e são atribuídas como causas: as altas taxas de infecções sexualmente transmissíveis, principalmente do vírus HPV, a má higiene, a presença de fimose.

“Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose”

Mulheres de parceiros portadores de câncer de pênis têm maior tendência a desenvolver câncer do colo do útero. Pacientes portadores desse tumor têm qualidade de vida afetada pela lesão genital, que apresenta crescimento contínuo. O tumor exala mau cheiro e secreções que incomodam sobremaneira. A evolução desse quadro marginaliza o paciente de suas companheiras e mesmo socialmente.

A lesão, quando não tratada, progride localmente, destrói o pênis e se espalha pelo corpo. Quando apresenta metástases (tumores a distância), a morte ocorre em geral dentro de um ano. Na fase inicial o tumor tem cura e, por essa razão, o diagnóstico de lesões no pênis deve ser feito precocemente. Toda lesão peniana que não regride rapidamente com medidas habituais deve ser estudada com biópsia.

Estabelecido o diagnóstico, deve-se avaliar a extensão da moléstia no corpo por exames especializados (ressonância magnética, tomografia etc.) e o tratamento instituído rapidamente. Este varia de acordo com as características locais e a presença/ausência de metástases. Assim, pequenas lesões podem ser retiradas ou cauterizadas e as maiores podem necessitar de amputações. Tendo-se em vista a gravidade que representa o câncer de pênis, as mensagens mais importantes a todos são representadas pela prevenção e o tratamento das lesões em fases iniciais.

Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

22jan/20

Sucos cítricos auxiliam na prevenção das pedras nos rins

Ácido cítrico presente na limonada tem fatores protetivos

A formação do cálculo renal, mais conhecido como pedra nos rins, em pessoas predispostas está ligada diretamente à alimentação. Uma dieta rica em proteína animal e sal e pobre em ingestão de água propicia seu aparecimento. De acordo com a cartilha do Departamento de Terapia Minimamente Invasiva da Sociedade Brasileira de Urologia, suco de frutas cítricas, como limão, protegem o organismo da formação de pedras renais.

Para prevenir o problema, além da mudança de hábitos alimentares, é preciso fazer exercícios e perder peso.
Segundo os especialistas, saber a composição do cálculo é importante para definir uma dieta preventiva mais eficiente. Cerca de 80% das pedras são formadas por cálcio. Também existem os cálculos formados por ácido úrico.

Entre os tratamentos para o problema estão métodos endoscópicos pouco invasivos e energia laser para fragmentação de todos os tipos de cálculos urinários. Além disso, tratamentos mais consagrados como a litotripsia extracorpórea (energia de onda de choque aplicada ao cálculo urinário sem cortes ou uso de endoscópios) também receberam contribuições tecnológicas que tornaram os métodos mais adequados ao paciente.

Dicas de prevenção:

Beba no mínimo 2 a 3 litros de líquidos por dia
Use o mínimo de sal possível no preparo dos alimentos e não adicione sal na comida
Prefira os alimentos integrais aos refinados
Consuma legumes cozidos ou crus e verduras de folha
Consuma pelo menos 3 a 4 frutas ao dia

Evite:

Azeitonas, bacalhau, salgadinhos, queijos amarelos, temperos e molhos prontos (catchup, mostarda, shoyu, caldos concentrados, molho inglês, sopas de pacote, cubos de caldos de carne e outros), produtos com glutamato monossódico, embutidos (salsicha, mortadela, linguiça, presunto, salame, paio, carne seca)
Conservas (picles, azeitona, aspargo, palmito, milho, patês, algas, chucrutes, maionese pronta)
Enlatados (extrato de tomate, milho, ervilha, seleta de legumes e outros)
Carnes salgadas (charque, camarão seco, defumados)
Salgadinhos para aperitivos (batata frita, amendoim salgado, castanhas, chips)
Bolachas salgadas, recheadas, margarina ou manteiga com sal, requeijão normal ou light
Café, bebidas achocolatadas e chocolate, chá preto, mate ou verde, espinafre, nozes, mariscos e frutos do mar. Esses alimentos contribuem para a formação de cálculos, pois são ricos em oxalato. Portanto, use com moderação.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

08jan/20

Reversão de vasectomia

“Por ser uma cirurgia minuciosa e delicada, a reversão necessita de tempo cirúrgico maior que a vasectomia, geralmente de três a quatro horas”

Aproximadamente 4 a 6% dos homens que realizaram vasectomia voltam a manifestar o desejo de ter filhos. Nesses casos, a reversão da vasectomia é possível na maioria das vezes. Porém, muitos casais desconhecem que existe a reversão de vasectomia ou ainda acreditam que somente podem ser revertidas vasectomias com menos de dois anos.

Antes de realizar a reversão, o paciente deve fazer avalição urológica e exames pré-operatórios específicos para estimar a taxa de sucesso e, obviamente, a esposa deve ser fértil.

A cirurgia consiste na religação (anastomose) dos canais que conduzem os espermatozoides, os deferentes, que foram interrompidos por ocasião da vasectomia. Como os deferentes possuem diâmetros pequenos, ou seja, o diâmetro interno do deferente é na ordem de décimos de milímetro, a reversão da vasectomia necessita do emprego de microscópio cirúrgico, fios e instrumentais de microcirurgia. Por ser uma cirurgia minuciosa e delicada, a reversão necessita de tempo cirúrgico maior que a vasectomia, geralmente de três a quatro horas.

O sucesso da reversão depende de vários fatores, principalmente:

do tempo decorrido entre a vasectomia e a sua reversão, sendo melhores os resultados quanto menor for esse tempo. Por outro lado, com a evolução científica nessa área, atualmente existem muitos relatos de sucesso de reversões em vasectomias com mais de 25 anos;
do tipo de técnica empregada na vasectomia. Vasectomias que preservam melhor os deferentes, evitando lesões e ressecções extensas dos mesmos, apresentam melhores taxas de sucesso de suas reversões;
da qualidade da cicatrização do paciente;
da produção testicular de espermatozoides, habitualmente mantida após a vasectomia;
da presença de espermatozoides no líquido do deferente no intraoperatório da reversão, e de seu aspecto macroscópico;
da experiência do urologista e de sua habilidade em microcirurgia.
Quando a reversão não tiver sucesso, ou não for a opção do casal, ou a esposa não tiver indicação para gravidez – como em casos de obstrução tubária bilateral irreversível –, a fertilização in vitro por meio da injeção intracitoplasmática dos óvulos da esposa, com espermatozoides obtidos do testículo ou do epidídimo, é uma alternativa que apresenta taxa de gravidez de aproximadamente 40%.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

18dez/19

Distúrbios miccionais associados a doenças neurológicas

O sistema nervoso é responsável pela coordenação precisa dos diferentes órgãos do trato urinário, garantindo a continência urinária durante o enchimento da bexiga e o esvaziamento completo da mesma durante a micção. Doenças ou traumatismos de diferentes partes do sistema nervoso podem afetar a coordenação dos órgãos do trato urinário e acarretar variadas formas de distúrbios da micção.

“Doenças que afetem o cérebro como derrame cerebral e doença de Parkinson podem levar à hiperatividade da bexiga”

Por serem causados por problemas neurológicos, os distúrbios da função vesical nestes pacientes também recebem o nome de “bexiga neurogênica”. Entre as doenças neurológicas que mais frequentemente cursam com distúrbios do controle da micção destacam-se os acidentes vasculares cerebrais (derrames), a esclerose múltipla, a doença de Parkinson, o traumatismo raquimedular (paraplégicos ou tetraplégicos) e outras.

O tipo de alteração no controle da micção causada pelas doenças neurológicas depende principalmente da área afetada pela doença e da função da mesma. Assim, dois pacientes com derrame cerebral (acidente vascular cerebral) podem ter sintomas urinários bastante diferentes ou até mesmo não apresentar nenhuma alteração em relação à sua micção normal antes do derrame. O mesmo é válido para outras doenças como Parkinson, esclerose múltipla, demência, etc.

Hiperatividade de bexiga

Doenças que afetem o cérebro como derrame cerebral e doença de Parkinson podem levar à hiperatividade da bexiga. Nesta circunstância, a bexiga passa a não responder completamente ao controle voluntário e pode se contrair sem a vontade do paciente. Como resultado o paciente sente vontade frequente de ir ao banheiro, às vezes de forma repentina e intensa que não consegue segurar e pode levar à perda de urina. Por vezes, entretanto, a bexiga pode assumir um comportamento diferente, não apresentando contração mesmo quando o paciente deseja urinar espontaneamente. Se isto ocorre o paciente apresenta um jato urinário fraco, precisando fazer força para urinar e pode chegar a necessitar de uma sonda para esvaziar a bexiga.

Pacientes com esclerose múltipla ou lesão da medula por traumatismo ou infecção frequentemente apresentam distúrbios da micção. Podem apresentar hiperatividade vesical ou diminuição da contratilidade da bexiga de forma semelhante ao descrito acima. Além disso, o funcionamento do esfíncter que controla a micção pode estar alterado nestes pacientes. Por apresentarem distúrbios geralmente mais severos e, muitas vezes não terem sensibilidade adequada, precisam de investigação e acompanhamento urológico frequente.

No passado, pacientes com distúrbios da micção causados por problemas neurológicos tinham poucas opções de tratamento e muitos acreditavam que sua condição era consequência natural da doença e/ou do envelhecimento. A maioria dos pacientes permanecia com fraldas e incontinente ou usava sondas todo o tempo. Atualmente muito pode ser feito para melhorar os sintomas ou eliminar completamente os distúrbios do controle vesical.

Se você tem alguma doença neurológica e possui distúrbios da micção ou conhece alguém nestas condições, procure um especialista. Através de uma investigação abrangente ele poderá identificar a causa precisa dos seus problemas urinários e instituir medidas terapêuticas para combatê-los.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

11dez/19

Como interpretar o espermograma?

A infertilidade é considerada uma doença do sistema reprodutor que é constatada após um período de 12 meses de tentativas de gravidez sem sucesso, em que o casal manteve relações sexuais sem a utilização de nenhum método contraceptivo. Atualmente, estima-se que a infertilidade atinja 10% a 20% dos casais em idade reprodutiva, independentemente de suas origens étnicas ou sociais.

Em 30% dos casais que não conseguem engravidar, o homem é o único responsável pela causa da infertilidade, sendo que causas femininas associadas às masculinas ocorrem em 20% dos casos. Sendo assim, pode-se dizer que problemas masculinos estão presentes em cerca de 50% dos casais inférteis. Pelo fato de os problemas masculinos serem tão comuns, é essencial a investigação adequada do homem infértil.

O espermograma é o principal exame de avaliação, sendo na maioria das vezes o primeiro a ser solicitado na investigação do homem infértil. Cerca de 80% dos homens com dificuldade de engravidar suas esposas apresentam baixa concentração dos espermatozoides associada à diminuição da motilidade e/ou alteração da sua morfologia.

O espermograma é um exame altamente variável, para um mesmo indivíduo, em dias de coleta diferentes, sendo assim é aconselhável a obtenção de duas análises de sêmen antes que se ofereça uma opinião sobre a condição do paciente. Um período de abstinência de 2 ou 3 dias deve ser respeitado. Alterações no período de abstinência podem invalidar comparações entre as análises. A coleta do exame deve ser realizada no laboratório ou clínica de reprodução através de masturbação e coletado em um recipiente de vidro ou de plástico especial com uma abertura ampla, evitando a perda de material.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

27nov/19

Tudo sobre a vigilância ativa no câncer de próstata

Tratamento consiste no monitoramento periódico da doença

A vigilância ativa consiste no monitoramento do câncer de baixo risco que se popularizou nos últimos anos. Caracterizada pelo acompanhamento periódico do tumor, sem que se faça uma cirurgia para sua retirada ou radioterapia, mas mantendo a possibilidade de um tratamento curativo quando for preciso, a vigilância ativa é indicada para tumores pequenos e de baixo risco (pouco agressivos).

Para entender melhor a vigilância ativa:

– O que é vigilância ativa?

A vigilância ativa consiste no monitoramento do câncer de baixo risco e pouco volume por meio de exames e consultas periódicas, normalmente a cada seis meses. Essa classificação é baseada no toque retal, PSA, métodos de imagem como a ressonância multiparamétrica e principalmente na biópsia da próstata.

Um tratamento definitivo, como a prostatectomia radical (retirada da próstata) ou radioterapia (método capaz de destruir células tumorais com radiação ionizantes), somente será indicado caso haja progressão da doença em pacientes com expectativa de vida maior que dez anos. Esse tratamento depende muito da aderência/comprometimento do paciente.

– Desde quando a vigilância ativa começou a ser adotada como tratamento para o câncer de próstata?

Os estudos iniciais começaram há cerca de 15 anos com o Prof. Laurence Klotz, do Canadá, e foi mais popularizada nos últimos anos.

– Há algum risco de se adiar o início do tratamento do câncer porque se optou inicialmente pela vigilância ativa?

Desde que o paciente faça os exames periodicamente, conforme seu urologista determina, nos tumores de baixo risco, a possibilidade é pequena.

– Homens jovens podem fazer esse tratamento?

Estudos recentes mostraram os mesmos resultados oncológicos de sobrevida, independentemente da idade do paciente. Portanto, a idade não é fator importante na vigilância ativa, somente os critérios de baixo risco.

– Quais os benefícios de se ficar em vigilância ativa?

Os benefícios são evitar os efeitos adversos derivados de um tratamento radical, como incontinência urinária e disfunção erétil, que são raros, mas podem acontecer com a prostatectomia radical ou radioterapia.

– Há algum estudo que apresente a porcentagem de sobrevida de quem opta por esse tratamento?

Os estudos mostram que naqueles pacientes que não tiveram progressão da doença, isto é, em torno de 70% dos pacientes que ficaram em vigilância ativa em 15 anos, a taxa de mortalidade por câncer de próstata foi menor que 5%.

– No Brasil e no mundo, qual o número estimado de pacientes em vigilância ativa?

Não se tem a porcentagem de pacientes brasileiros que estão em vigilância ativa. Nos EUA estima-se que estão no protocolo em torno de 40% dos pacientes com doença de baixo risco.

– A vigilância ativa é oferecida no SUS?

Sim. Em diversos serviços do SUS a vigilância ativa é realizada da mesma forma que nos pacientes privados, dependendo muito da aderência do paciente a esse tratamento.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

21nov/19

Quais são as principais doenças da próstata?

“São três as principais doenças da próstata: prostatite e dois tipos de tumores (benigno e maligno), patologias bastante frequentes no homem.”

Do formato e do tamanho aproximado de uma castanha portuguesa, a próstata só está presente no homem e se localiza logo abaixo da bexiga, envolvendo a uretra, aquele canal por onde passa a urina. É uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino, produzindo um líquido que se junta à secreção da vesícula seminal e do testículo para formar o esperma.

A próstata cresce pouco até a puberdade, quando passa a sofrer influências mais intensas do hormônio masculino (testosterona), alcançando seu tamanho normal, em torno de 15 a 20 gramas, por volta dos 20 anos. Já está provado que seu crescimento está relacionado com o envelhecimento.

São três as principais doenças da próstata: prostatite e dois tipos de tumores (benigno e maligno), patologias bastante frequentes no homem.

Prostatite – É bastante comum e chega a atingir quase 30% da população masculina. Ela é mais comum na forma crônica e geralmente é assintomática, mas, quando dá sintomas, os mais frequentes são: ardor ou queimação ou um desconforto junto ao orgasmo, esperma de cor amarelada, vontade frequente para urinar etc. Quando cai a resistência física das pessoas, a prostatite se exacerba e aparece de uma forma bastante aguda provocando febre alta, queda do estado geral e sintomas típicos de infecção urinária como ardor ao urinar e micções extremamente frequentes.

As principais causas de prostatite no homem são após as uretrites, como a gonorreia, após relacionamentos com parceiras com infecções ginecológicas e ainda após relação anal sem preservativo. O tratamento é feito com antibiótico e por um período mais longo do que os tratamentos habituais. Após o tratamento, o paciente necessita ficar atento, pois os sintomas da prostatite aguda podem voltar sempre que houver uma queda da resistência do homem portador da prostatite crônica.

Tumores – Existem dois tipos de tumores da próstata: os malignos (ou câncer) e os benignos, também chamados de aumento benigno da próstata ou hiperplasia prostática benigna (HPB).

Maligno – O tumor maligno, ou seja, o câncer de próstata, chega a atingir em torno de 16% dos homens e a sua frequência aumenta com a idade dos homens.

Quando diagnosticado nas fases iniciais, a cirurgia ou a radioterapia podem curar o câncer da próstata, porém em fases mais avançadas não existe cura, mas o câncer pode ser neutralizado e permanece inativo quando se bloqueia a ação do hormônio masculino (testosterona). A testosterona é responsável pela alimentação da próstata e ela pode ser bloqueada através de injeções ou pela castração cirúrgica do portador de câncer avançado da próstata.

O exame periódico do homem com o urologista é extremamente importante porque o câncer da próstata não apresenta sintomas nas fases iniciais. Portanto o diagnóstico precoce e a possibilidade de cura só existem quando se faz exames rotineiros pelo menos uma vez ao ano.

Benigno – O tumor benigno (ou HPB) é também mais frequente quanto maior for a idade do paciente e é muito mais frequente que o câncer da próstata, pois chega a atingir quase 70% dos homens acima de 70 anos.

A hiperplasia prostática começa a aparecer em homens acima de 40 anos e se caracteriza por um aumento da próstata apenas no local, diferentemente do câncer, que se espalha provocando as metástases. O aumento benigno da próstata passa a ser um problema quando ela dificulta a passagem da urina, porque, ao crescer, a próstata pode obstruir a uretra, que passa por dentro dela.

Os sintomas que a HPB provoca quando há obstrução da uretra são:

aparecimento de micções durante a noite (uma, duas, três, várias vezes)
aumento da frequência urinária diurna
diminuição da força e do calibre do jato urinário
demora para iniciar a micção
sensação de urgência para urinar e às vezes até perda de urina nessas situações, entre outras.
Esses sintomas independem do tamanho da próstata porque um homem pode ter a próstata muito aumentada e não ter nenhum sintoma porque o aumento da próstata não causou estreitamento ou obstrução da uretra. Por outro lado, homens com próstatas menores podem ter todos esses sintomas porque o crescimento da próstata provocou uma obstrução importante na uretra.

Quando o homem tem a próstata aumentada, mas não tem sintoma algum, normalmente não se trata e apenas faz-se o controle anual com o urologista.

Diante dos sintomas é que se deve fazer o tratamento da HPB, que pode ser clínico ou cirúrgico. O tratamento clínico pode ser sintomático ou etiológico. Os medicamentos sintomáticos apenas melhoram os sintomas que a obstrução produz na uretra. Esses medicamentos fazem com que o homem acorde menos durante a noite, urine com mais facilidade, enfim diminui os sintomas da HPB. Esses medicamentos sintomáticos atuam imediatamente reduzindo os sintomas, mas não interferem na evolução da doença.

Os medicamentos chamados etiológicos demoram muitos meses para agir, mas têm a capacidade na grande maioria dos casos de bloquear o crescimento da próstata e até em muitos casos fazê-la regredir no tamanho.

Portanto o tratamento clínico do tumor benigno da próstata com medicamentos só deve ser feito quando se observa uma possibilidade de evolução da doença ou quando os sintomas de obstrução já apareceram.

A cirurgia da HPB é recomendada quando falha o tratamento clínico ou quando a obstrução já é muito intensa, agravando os sintomas e às vezes levando a retenção urinária aguda, quando há a necessidade de passar uma sonda para esvaziar a bexiga.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

20nov/19

É possível prevenir o câncer de próstata com alimentação?

Dados do Instituto Nacional do Câncer apontaram 68.220 casos novos de câncer de próstata para o biênio 2018-2019. Excluindo o câncer de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens em todas as regiões do país. Alguma medida alimentar ou mudança de hábitos de vida pode auxiliar na prevenção ao problema? A resposta, infelizmente, é não.

Ao longo dos anos, estudos apontaram que o licopeno, presente no tomate, e a vitamina E e o selênio, presentes na castanha-do-pará, teriam um fator protetivo. No entanto, ao se fazer estudos mais específicos, chegou-se à conclusão de que essas substâncias não tinham efeito contra a doença.

“Discute-se muito sobre os fatores de risco alimentares para o câncer de próstata e se existe alguma correlação positiva de uma maior incidência do câncer de próstata com obesidade e sedentarismo. No entanto, vários fatores alimentares que se esperava que fossem protetores contra câncer de próstata – como o licopeno do tomate ou o selênio e a vitamina E das verduras e da castanha-do-pará – não demonstraram ser verdadeiros em estudos clínicos específicos. Desta forma, a maior prevenção segue sendo a adoção de estilos de vida saudáveis”, afirma o urologista Gustavo Franco Carvalhal, professor de pós-graduação em Medicina e Ciências da Saúde da Faculdade de Medicina da PUC-RS. Entre as orientações para uma vida saudável estão evitar gordura animal e realizar exames médicos periódicos.

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda a ida a um urologista para avaliação da próstata a partir dos 50 anos. Caso algum parente de primeiro grau (pai, irmão, tio) tenha tido a doença, a consulta deve ocorrer a partir dos 45 anos, visto que a chance de ter a doença é maior nesse grupo.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

12nov/19

Esclarecimento ao público sobre a importância do PSA na detecção precoce do câncer de próstata

O antígeno prostático específico (PSA) é o marcador mais utilizado no auxílio ao diagnóstico de câncer de próstata. Isoladamente, o PSA elevado não significa necessariamente que o indivíduo tem câncer de próstata ou que tem um câncer que evoluiria de forma agressiva. Por isso, fazer ou não fazer o exame do PSA passa pelo questionamento de que poderia significar um excesso de diagnósticos em pacientes que não precisariam necessariamente ser tratados.

Por outro lado, é importante lembrar que o sucesso do tratamento do câncer está diretamente relacionado com a detecção precoce da doença e que aguardar por sintomas pode diminuir as chances de cura, uma vez que, especialmente no câncer de próstata, estes ocorrem APENAS quando a doença já se encontra em estágio avançado, não mais passível de cura, quando a janela de cura foi perdida.

Uma das principais vantagens do avanço tecnológico da humanidade é o de nos propiciar uma melhor qualidade de vida e uma vida mais longa do que nossos antepassados. De nada vale toda a tecnologia se ela não se voltar ao bem-estar da humanidade.

É reconhecido que o rastreio universal do câncer de próstata pelo exame de toque retal e pela medida do PSA no sangue é controverso e que a literatura traz dados conflitantes, especialmente com relação aos prejuízos potenciais provocados por um diagnóstico de câncer e efeitos colaterais do tratamento, comparados ao impacto na mortalidade de um diagnóstico precoce.

A suspensão do diagnóstico precoce nos Estados Unidos, que foi motivada pela recomendação da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (US Preventive Services Task Force – USPSTF) em 2012, trouxe preocupação pelo substancial aumento do número de casos de doença avançada e dos custos com quimioterapia e hormonioterapia, além daqueles decorrentes das complicações desses tratamentos.

Em maio de 2018, a própria USPSTF reconheceu que os programas de rastreamento baseados na medida do PSA em homens com idade entre 55 e 69 anos podem, a cada 1000 homens testados, evitar cerca de 2 mortes por câncer de próstata e prevenir cerca de 3 casos de câncer de próstata metastático. É importante ressaltar que o câncer metastático é uma condição clínica muito mais grave, exigindo cuidados específicos, mais custosos e reduzida chance de cura, perda de qualidade de vida e elevada taxa de mortalidade.

A partir destas informações, a USPSTF concluiu que, para homens com idade entre 55 e 69 anos, a decisão de se submeter à triagem periódica baseada na medida do PSA deve ser individual e deve incluir a discussão dos possíveis benefícios e danos da triagem com seu médico.

A SBU – Sociedade Brasileira de Urologia e a SBPC/ML – Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial não recomendam o rastreamento universal, mas sim recomendam a consulta com urologista a partir dos 50 anos de idade, especialmente para homens saudáveis, com expectativa de vida maior que 10 anos. A partir da avaliação médica, o médico e o paciente podem discutir e decidir em conjunto sobre os riscos e benefícios de realizar a triagem pelo PSA. Duas exceções se aplicam: negros e seus descendentes e aqueles com histórico de câncer de próstata na família que devem começar a fazer exame de próstata aos 45 anos. A frequência do exame é bastante variável, podendo ser anual ou mesmo a cada 4 anos, e é o seu urologista quem irá determinar essa periodicidade.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia