01jul/20

Condições de trabalho podem afetar a qualidade do esperma?

As mulheres têm adiado cada vez mais os planos de gravidez devido à dedicação à profissão e à espera de estabilidade econômica. Nota-se um grande aumento na procura pela técnica de congelamento de óvulos.

Enquanto os homens possuem uma fábrica constante de espermatozoides, as mulheres já nascem com todos os seus óvulos e não os produzem ao longo da vida. Portanto os óvulos envelhecem com elas e há uma perda de qualidade dos mesmos com o decorrer dos anos devido ao acúmulo dos efeitos do meio ambiente sobre os óvulos já produzidos no início da vida da mulher. Além disso, após os 35 anos de vida, os óvulos apresentam maiores chances de alterações genéticas a cada ano, aumentando a probabilidade de gestação de crianças com síndromes e malformações e também as chances de abortos.

Desde o surgimento das técnicas de vitrificação, o congelamento de óvulos tem atingido resultados de sobrevida de aproximadamente 90% e tem sido visto pelas mulheres como uma possibilidade de postergar os planos de gravidez. Porém a grande maioria procura o tratamento somente após os 35 anos, quando a qualidade dos óvulos já inicia uma perda gradual ao longo dos anos.

“(…) a maioria das mulheres que procura a técnica acredita que o congelamento dos óvulos garante uma futura gestação, mas a realidade é que o congelamento não garante gestação”

Muito importante frisar que a maioria das mulheres que procura a técnica acredita que o congelamento dos óvulos garante uma futura gestação, mas a realidade é que o congelamento não garante gestação, assim como qualquer tratamento de reprodução assistida.

As indicações do congelamento de óvulos geralmente são:

Pacientes com câncer que iniciarão tratamentos como quimioterapia ou radioterapia, que podem causar infertilidade
Adiamento da gravidez (preservação de fertilidade)
Acúmulo de óvulos para futura extração de espermatozoides do marido
Programa de doação compartilhada de óvulos
Pacientes em tratamento de fertilização in vitro que não desejam utilizar todos os óvulos coletados
Em relação ao número de óvulos ideal para o congelamento, varia de acordo com a idade da mulher no momento do congelamento, mas para pacientes com menos de 35 anos estima-se um mínimo de dez óvulos maduros congelados. Para pacientes com 35 ou mais, os números devem ser individualizados de acordo com a idade.

Uma dúvida comum entre as mulheres é o prazo de validade do congelamento. Uma vez congelados, os óvulos podem permanecer no nitrogênio líquido por tempo indeterminado, mantendo a “idade” que tinham ao serem congelados.

Estudos recentes mostram taxas de gestação clínica com óvulos descongelados semelhantes às taxas com óvulos frescos. De acordo com um estudo europeu com óvulos doados descongelados, as taxas de sucesso em pacientes jovens atingiram 50% de chances de gestação clínica.

Congelamento seminal

O congelamento seminal é a maneira mais eficaz de preservar os gametas masculinos para uso posterior. Há diversas razões para um homem optar por congelar seus espermatozoides:

Cirurgias no aparelho reprodutor que podem comprometer a produção espermática (ex: vasectomia, varicocelectomia, prostatectomia, entre outras)
Tratamento oncológico envolvendo radioterapia e/ou quimioterapia
Ambientes de trabalho que afetam negativamente a qualidade espermática: ambientes com altas temperaturas (ex. fornos de alta temperatura) e diferentes pressões (ex. mergulhadores profissionais), presença de metais pesados e/ou solventes orgânicos (ex. metalúrgicos e pintores) e locais com radiações (ex. médicos radiologistas)
Prática de atividade física em excesso (ex. ciclistas profissionais)
Cirurgia de derivação do trato intestinal (ex. Fobi-Capella) para tratamento da obesidade mórbida
Armazenamento de espermatozoides obtidos cirurgicamente (aspiração/biópsia de testículo/epidídimo)
As amostras congeladas podem ficar armazenadas por tempo indeterminado, sendo descongeladas quando o paciente optar por utilizá-las em algum tratamento de reprodução assistida. De acordo com a qualidade do sêmen e a quantidade de amostras disponíveis, o médico responsável pode indicar um tratamento de baixa complexidade (inseminação intrauterina – IIU) ou de alta complexidade (injeção intracitoplasmática de espermatozoides – ICSI ou fertilização in vitro clássica – FIV).

A técnica mais utilizada nos laboratórios para se congelar uma amostra é a criopreservação no vapor de nitrogênio líquido, que tem este nome pois envolve o uso de temperaturas extremamente baixas. Cada amostra é cuidadosamente identificada, assegurando a precisão e a confiabilidade. É efetuada uma análise seminal completa em uma pequena alíquota e o restante da amostra é resfriado gradativamente após a adição de um diluente protetor (até atingir -100°C). No final do resfriamento a amostra é armazenada no nitrogênio líquido a -196°C.

Cerca de 25-50% de espermatozoides não sobrevivem ao processo de criopreservação. Várias técnicas têm sido estudadas para diminuir este percentual.

Para otimizar as chances de uma futura fertilização, recomenda-se que sejam congelados, no mínimo, três ejaculados com intervalos estipulados pelo médico responsável. Esse número pode ser maior ou menor de acordo com a qualidade da amostra seminal.

As taxas de gravidez utilizando-se o sêmen criopreservado variam conforme a técnica de reprodução assistida utilizada e a qualidade da amostra após o descongelamento. A utilização do sêmen criopreservado não acarreta aumento de complicações na gravidez ou no parto e não oferece qualquer risco genético adicional.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

24jun/20

Como evitar a infecção urinária recorrente?

Infecção urinária baixa recorrente, chamada no meio médico de cistite de repetição, é mais comum entre as mulheres. Isso se dá, entre outras coisas, por elas terem a uretra mais curta e mais próxima ao ânus. Estimativas apontam que metade das mulheres vai apresentar pelo menos um episódio de infecção urinária durante a vida. Fazer a higiene local da forma correta é fundamental para reduzir a contaminação e diminuir as chances de infecção.

Hábitos higiênicos são úteis à saúde de modo geral e certamente oferecem benefícios à qualidade de vida. Em relação à infecção urinária, cuidados após evacuação e após a relação sexual são aspectos que devem ser considerados como medidas preventivas. É preciso limpar a região sem passar o papel higiênico do ânus para a vagina e, sim, ao contrário. Após as relações sexuais, também deve-se lavar a região – em cerca de dois terços das mulheres mais jovens, o problema é a atividade sexual. Mas exagero na limpeza local, além de causar irritação, também pode favorecer a instalação de bactérias locais e a infecção urinária, principalmente quando são utilizados desodorantes íntimos e/ou produtos com propriedades cáusticas e esfoliantes. Roupas íntimas de material sintético também podem facilitar a proliferação de bactérias, pois reduzem a ventilação e mantêm o ambiente úmido. Por outro lado, tecidos de algodão ajudam a manter a região mais seca, tornando-a menos favorável às infecções.

Fatores de risco

Diversos fatores de risco para ocorrência de cistites recorrentes foram identificados em estudos clínicos, incluindo aumento da frequência de relações sexuais e uso de agentes espermicidas, diabetes mellitus, presença de bexiga caída (prolapso genital), retenção de urina ou incontinência urinária e menopausa.

Durante episódios de cistite, é recomendado evitar a ingestão de líquidos ou alimentos que podem irritar a bexiga, como chá, café, álcool, frutas cítricas e condimentos (como a pimenta). Recomenda-se beber pelo menos dois litros de água por dia para estimular a produção de urina, bem como evitar longos períodos de tempo sem esvaziar a bexiga. Mulheres com infecção urinária de repetição podem se beneficiar da dieta com vegetais e fibras, principalmente aquelas que sofrem de prisão de ventre.

Tratamento

O tratamento se dá por meio de antibiótico geralmente durante três dias. Em gestantes, o tratamento deve ser feito sob rigoroso acompanhamento médico, pois há medicamentos proibidos durante a gravidez.

Pacientes com episódios recorrentes podem ser submetidos a tratamento com antibiótico em dose menor e por tempo prolongado (seis meses).

Novas perspectivas

Estima-se que 85% das cistites sejam causadas pela bactéria Escherichia coli, que tem origem intestinal. Atualmente, contamos com uma vacina para infecção urinária, em forma de cápsulas, composta por componentes extraídos dessa bactéria e que atua estimulando as defesas naturais do organismo, sendo usada para prevenir infecções urinárias recorrentes. Esse é um tratamento a ser considerado em pacientes que apresentam infecções predominantemente por E. coli, documentadas em exame cultural de urina.

Alguns estudos indicam que a fruta cranberry pode auxiliar (embora ainda não haja consenso quanto à sua eficácia). O uso de lactobacilos também vem sendo estudado, com resultados promissores.

Fonte: Portal SBU – Sociedade Brasileira de Urologia

03jun/20

Varicocele: o que é, causas e tratamento

“(…) o aparecimento da varicocele ocorre junto com a puberdade, ao redor dos 12-13 anos. Desta forma, o acompanhamento do adolescente pelo urologista desde o início da puberdade pode levar a uma detecção precoce da varicocele”.

A varicocele é a principal causa tratável de infertilidade masculina, presente em 15% da população masculina e em aproximadamente 40% dos homens com infertilidade primária (nunca tiveram filhos). Esse número pode aumentar para até 80% dos homens com diagnóstico de infertilidade secundária (que já tiveram filhos, mas não conseguem mais engravidar por perda da qualidade do sêmen).

Mas o que é varicocele?
A varicocele é a dilatação das veias que drenam o sangue testicular devido à incompetência das válvulas venosas, associada ao refluxo venoso. É a mesma doença que afeta mais frequentemente as pernas das mulheres, que nesse caso é conhecida como varizes dos membros inferiores e provoca dor e inchaço nas pernas. Outra doença gerada pela dilatação das veias é a doença hemorroidária, que são varizes na região anal e que provoca sangramento ao evacuar. Portanto pode-se chamar a varicocele de varizes na bolsa testicular, que pode provocar prejuízo para a produção de espermatozoides e em última consequência infertilidade.

Qual a causa da varicocele?
A varicocele é ocasionada pela incompetência ou até mesmo ausência congênita das válvulas nas veias espermáticas, ocasionando um refluxo do sangue venoso e a dilatação das mesmas, além do espessamento de sua parede muscular. Os pacientes com diagnóstico de varicocele muitas vezes costumam referir a presença de varizes nas pernas e até mesmo de doença hemorroidária, deixando evidente que as alterações venosas são sistêmicas e não somente restritas às veias do escroto. Existe também um fator hereditário a ser considerado, pois é muito comum na história familiar os pais também terem apresentado varicocele no passado.

Como se faz o diagnóstico de varicocele?
O diagnóstico é feito de uma maneira bastante simples: apenas com o exame físico bem feito. Quando houver dúvidas em relação ao diagnóstico ou na impossibilidade da identificação apropriada das veias, o exame de ultrassom de bolsa testicular com doppler colorido deve ser solicitado. Existem graus diferentes de varicocele: I (leve), II (moderado) e III (importante). Os graus II e III são os que podem comprometer a fertilidade.

No exame físico, o testículo em que incide a varicocele pode ter seu volume diminuído e muitas vezes ficar mais amolecido, mostrando claramente que está ocorrendo a perda de células produtoras de espermatozoides.

Por que a varicocele gera infertilidade masculina?
O testículo, para o seu perfeito funcionamento, deve estar sempre entre 20 e 30C abaixo da temperatura corpórea. Para que isso ocorra, a regulação térmica ocorre basicamente por três mecanismos distintos. O primeiro, e certamente o mais importante, é a função das veias saudáveis (sem varizes) em resfriar a temperatura do sangue quente que chega pela artéria testicular. Quando essas veias estão dilatadas e varicosas, elas perdem a função de resfriamento, gerando um aumento crônico da temperatura testicular. Para um melhor entendimento, é como se a serpentina (veias do testículo) do barril de chope estragasse e o líquido (sangue arterial) saísse apenas frio em vez de gelado da torneira para ser bebido.

O segundo mecanismo existente é a presença de uma bolsa testicular pendular e de musculatura de dartos e cremáster, mantendo os testículos mais próximos ou mais afastados da área abdominal, dependendo da temperatura existente. Por isso que no calor os homens geralmente ficam com o escroto mais afastado do corpo e no frio o escroto permanece mais próximo.

As glândulas sudoríparas (que promovem a eliminação de suor) presentes na bolsa testicular compreendem o terceiro mecanismo, eliminando o calor necessário para que o testículo permaneça em sua temperatura ideal.

O calor em excesso nos testículos promovido pela varicocele gera um aumento na produção de radicais livres que não consegue ser combatido adequadamente pelos sistemas antioxidantes. Esse desequilíbrio, por sua vez, gera o que conhecemos como estresse oxidativo. Esse ambiente testicular alterado traz prejuízos importantes à produção e à qualidade dos espermatozoides.

No espermograma isso pode ser constatado pela piora de todos os parâmetros seminais. E na parte clínica isso pode ser evidenciado pela dificuldade do homem em engravidar suas parceiras.

É possível prevenir a doença?
O aparecimento da varicocele não é possível prevenir, pois é uma questão hereditária associada à predisposição pessoal para o aparecimento das varizes. Entretanto, pode-se e deve-se prevenir os efeitos negativos que a varicocele pode trazer para a produção de espermatozoides e, por consequência, para o potencial de fertilidade futuro.

Sabe-se que a varicocele é uma doença tempo-dependente, ou seja: quanto mais tempo a varicocele agir, pior será para a função do testículo em produzir espermatozoides. Outra característica importante é que o aparecimento da varicocele ocorre junto com a puberdade, ao redor dos 12-13 anos. Desta forma, o acompanhamento do adolescente pelo urologista desde o início da puberdade pode levar a uma detecção precoce da varicocele. Assim que houver o primeiro sinal de detecção de que a varicocele possa estar trazendo prejuízo à função testicular, seja por alteração no espermograma, seja por redução de crescimento dos testículos, a cirurgia para a correção da varicocele deve ser indicada com brevidade.

A varicocele tem tratamento?
Sim. O tratamento deve ser oferecido para aqueles adolescentes ou homens adultos com varicocele grau II ou III que apresentam comprometimento de sua fertilidade, sendo sempre cirúrgico. A técnica preconizada é a microcirurgia subinguinal, com menos de 1% de recidiva e com taxas similares de complicações quando realizada por urologistas experientes na técnica. O espermograma costuma melhorar em mais de 60% das vezes, devolvendo ao homem um bom potencial de gravidez natural ou, caso não seja possível alcançá-la, melhorar a qualidade seminal para tratamentos com técnicas de reprodução assistida.

A infertilidade masculina é gerada apenas pela varicocele?
Não é apenas a varicocele que pode trazer prejuízo para o potencial fértil do homem. Obesidade, sedentarismo, infecção testicular por doenças sexualmente transmissíveis, infecção do testículo por vírus (o vírus mais famoso por gerar infertilidade é o da caxumba), tabagismo e o uso de drogas como maconha, cocaína e crack também estão implicados. Existem também outras fontes de agravo à produção de espermatozoides, como tratamentos com quimioterapia e radioterapia para tumores malignos. Doenças como tumor de testículo e testículos que não desceram para a bolsa testicular (testículos criptorquídicos) após o nascimento também estão associados a uma redução na produção de espermatozoides.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

06maio/20

O que é retenção de Urina

Infecção urinária baixa recorrente, chamada no meio médico de cistite de repetição, é mais comum entre as mulheres. Isso se dá, entre outras coisas, por elas terem a uretra mais curta e mais próxima ao ânus. Estimativas apontam que metade das mulheres vai apresentar pelo menos um episódio de infecção urinária durante a vida. Fazer a higiene local da forma correta é fundamental para reduzir a contaminação e diminuir as chances de infecção.

Hábitos higiênicos são úteis à saúde de modo geral e certamente oferecem benefícios à qualidade de vida. Em relação à infecção urinária, cuidados após evacuação e após a relação sexual são aspectos que devem ser considerados como medidas preventivas. É preciso limpar a região sem passar o papel higiênico do ânus para a vagina e, sim, ao contrário. Após as relações sexuais, também deve-se lavar a região – em cerca de dois terços das mulheres mais jovens, o problema é a atividade sexual. Mas exagero na limpeza local, além de causar irritação, também pode favorecer a instalação de bactérias locais e a infecção urinária, principalmente quando são utilizados desodorantes íntimos e/ou produtos com propriedades cáusticas e esfoliantes. Roupas íntimas de material sintético também podem facilitar a proliferação de bactérias, pois reduzem a ventilação e mantêm o ambiente úmido. Por outro lado, tecidos de algodão ajudam a manter a região mais seca, tornando-a menos favorável às infecções.

Fatores de risco

Diversos fatores de risco para ocorrência de cistites recorrentes foram identificados em estudos clínicos, incluindo aumento da frequência de relações sexuais e uso de agentes espermicidas, diabetes mellitus, presença de bexiga caída (prolapso genital), retenção de urina ou incontinência urinária e menopausa.

Durante episódios de cistite, é recomendado evitar a ingestão de líquidos ou alimentos que podem irritar a bexiga, como chá, café, álcool, frutas cítricas e condimentos (como a pimenta). Recomenda-se beber pelo menos dois litros de água por dia para estimular a produção de urina, bem como evitar longos períodos de tempo sem esvaziar a bexiga. Mulheres com infecção urinária de repetição podem se beneficiar da dieta com vegetais e fibras, principalmente aquelas que sofrem de prisão de ventre.

Tratamento

O tratamento se dá por meio de antibiótico geralmente durante três dias. Em gestantes, o tratamento deve ser feito sob rigoroso acompanhamento médico, pois há medicamentos proibidos durante a gravidez.

Pacientes com episódios recorrentes podem ser submetidos a tratamento com antibiótico em dose menor e por tempo prolongado (seis meses).

Novas perspectivas

Estima-se que 85% das cistites sejam causadas pela bactéria Escherichia coli, que tem origem intestinal. Atualmente, contamos com uma vacina para infecção urinária, em forma de cápsulas, composta por componentes extraídos dessa bactéria e que atua estimulando as defesas naturais do organismo, sendo usada para prevenir infecções urinárias recorrentes. Esse é um tratamento a ser considerado em pacientes que apresentam infecções predominantemente por E. coli, documentadas em exame cultural de urina.

Alguns estudos indicam que a fruta cranberry pode auxiliar (embora ainda não haja consenso quanto à sua eficácia). O uso de lactobacilos também vem sendo estudado, com resultados promissores.

Fonte: Portal SBU – Sociedade Brasileira de Urologia

29abr/20

Câncer de pênis: um problema brasileiro

O câncer de pênis constitui neoplasia rara em países desenvolvidos, contrariamente ao que ocorre em regiões de baixo padrão socioeconômico como Paraguai, norte da Argentina, norte e nordeste do Brasil e alguns países da África e Ásia. Acometem em geral indivíduos com mais de 50 anos de idade e são atribuídas como causas: as altas taxas de infecções sexualmente transmissíveis, principalmente do vírus HPV, a má higiene, a presença de fimose.

“Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose”

Mulheres de parceiros portadores de câncer de pênis têm maior tendência a desenvolver câncer do colo do útero. Pacientes portadores desse tumor têm qualidade de vida afetada pela lesão genital, que apresenta crescimento contínuo. O tumor exala mau cheiro e secreções que incomodam sobremaneira. A evolução desse quadro marginaliza o paciente de suas companheiras e mesmo socialmente.

A lesão, quando não tratada, progride localmente, destrói o pênis e se espalha pelo corpo. Quando apresenta metástases (tumores a distância), a morte ocorre em geral dentro de um ano. Na fase inicial o tumor tem cura e, por essa razão, o diagnóstico de lesões no pênis deve ser feito precocemente. Toda lesão peniana que não regride rapidamente com medidas habituais deve ser estudada com biópsia.

Estabelecido o diagnóstico, deve-se avaliar a extensão da moléstia no corpo por exames especializados (ressonância magnética, tomografia etc.) e o tratamento instituído rapidamente. Este varia de acordo com as características locais e a presença/ausência de metástases. Assim, pequenas lesões podem ser retiradas ou cauterizadas e as maiores podem necessitar de amputações. Tendo-se em vista a gravidade que representa o câncer de pênis, as mensagens mais importantes a todos são representadas pela prevenção e o tratamento das lesões em fases iniciais.

Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose.

Fonte: Portal SBU – Sociedade Brasileira de Urologia

15abr/20

Curiosidades sobre disfunções miccionais e incontinência urinária

“Independentemente do tipo de perda urinária, é muito importante que o paciente procure um médico urologista para uma avaliação global dos seus sintomas”

Disfunção miccional é um termo genérico utilizado para se referir a problemas de função da bexiga urinária, que incluem dificuldades no armazenamento ou esvaziamento da urina. A incontinência urinária é um tipo de disfunção miccional, caracterizada pela perda involuntária de urina pela uretra.

Segundo os dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), estima-se que uma a cada 25 pessoas pode sofrer de incontinência urinária ao longo da vida. Cerca de 40% das mulheres após a menopausa perdem urina de forma involuntária. Aproximadamente 8% dos homens que necessitam de cirurgia para remoção completa da próstata (para tratamento do câncer) também podem apresentar perda involuntária de urina.

Existem três tipos básicos de incontinência urinária, listados abaixo, que podem ocorrer em ambos os sexos:

Incontinência urinária aos esforços
Incontinência urinária de urgência
Incontinência urinária por transbordamento
Incontinência urinária aos esforços – caracteriza-se pela perda involuntária de urina (via uretral) que ocorre durante manobras de esforço, como tossir, espirrar, levantar peso ou, até mesmo, mudança de posição (levantar-se da cama, por exemplo). Existem fatores de risco para a ocorrência desse tipo de perda urinária. O principal fator de risco para ocorrência de incontinência urinária aos esforços nos homens é a cirurgia radical da próstata (prostatectomia radical), que é uma das modalidades de tratamento do câncer de próstata. Em função da proximidade entre a próstata e o esfíncter urinário (esfíncter externo da uretra), este pode se tornar incompetente para manter a continência urinária no período pós-operatório. Nas mulheres, os fatores de riscos estão relacionados ao número de gestações, menopausa, obesidade e prolapsos de órgãos pélvicos (“bexiga caída”, “útero caído”).

Incontinência urinária de urgência – é a perda involuntária de urina que vem acompanhada de um desejo intenso de urinar, que é difícil de controlar (segundo definição da Sociedade Internacional de Continência – ICS). Essa modalidade de incontinência urinária também pode acometer ambos os sexos e todas as faixas etárias. A incontinência urinária de urgência ocorre quando o músculo da bexiga se contrai em momentos inadequados, mesmo com a bexiga “pouco cheia”, caracterizando o que se chama Síndrome da Bexiga Hiperativa. Quando existem sintomas de incontinência urinária aos esforços e também de urgência, utiliza-se o termo incontinência urinária mista.

Incontinência urinária por transbordamento – é aquela que ocorre quando a pessoa tem dificuldade para esvaziar completamente a bexiga. Quando há um fator obstrutivo e a bexiga urinária não se esvazia completamente durante a micção, o resíduo urinário pode se tornar cada vez maior e ocorrer a perda por transbordamento: perda contínua (gotas), com a bexiga muito cheia. O estreitamento de uretra (que é muito mais frequente em homens do que em mulheres), bem como o aumento da próstata (em homens) são as causas mais comuns desse tipo de incontinência urinária. Os pacientes com problemas neurológicos também podem apresentar esse tipo de incontinência urinária.

Muitas pessoas com incontinência urinária esperam vários anos até procurar auxílio especializado. Existe um tabu que precisa ser quebrado: mesmo na terceira idade, a perda de urina não é um evento normal! Em função de constrangimento ou falta de informação, há casos em que o indivíduo se isola do convívio social e desiste de participar de atividades de lazer e recreação. Esse tipo de atitude traz um impacto negativo à qualidade de vida e pode estar associado à depressão.

Independentemente do tipo de perda urinária, é muito importante que o paciente procure um médico urologista para uma avaliação global dos seus sintomas. Existem diversas formas de tratamento da incontinência urinária, desde tratamentos medicamentosos, exercícios do assoalho pélvico, até cirurgias minimamente invasivas.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

05mar/20

6 perguntas sobre incontinência urinária

Para entender um pouco mais a incontinência urinária, veja essa lista de dúvidas e respostas.

O que é a incontinência urinária e qual sua importância?

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina. É um problema muito frequente, que pode acometer homens e mulheres de todas as idades e apresentar variadas causas. Além da questão médica, a incontinência urinária pode comprometer a qualidade de vida e a autoestima das pessoas.

Quem pode ter incontinência urinária e quais são os fatores de risco?

De maneira geral, a incontinência urinária é duas vezes mais comum entre as mulheres do que entre os homens. Cerca de 30-40% das mulheres com mais de 40 anos apresentam algum grau de incontinência urinária. A idade é um fator de risco importante, estimando-se que a chance de apresentar incontinência urinária após os 70 anos seja de quatro a cinco vezes maior do que na faixa etária de 20 a 40 anos. Entretanto, a incontinência urinária não deve ser encarada como normal em nenhuma faixa etária, podendo ser tratada adequadamente na grande maioria dos pacientes.

“ (…) Existem situações, entretanto, nas quais a incontinência urinária é uma manifestação de problemas mais graves, que podem ser seguidos por infecções urinárias e até mesmo perda da função dos rins. Nestes casos, o tratamento é mandatório”

Além da idade, outros fatores que aumentam o risco de apresentar incontinência urinária são: o diabetes, a obesidade e a presença de doenças neurológicas. Nas mulheres, a falta de estrógeno parece também ter alguma importância.

Crianças também podem ter incontinência urinária. O controle completo da bexiga geralmente se estabelece até os 5 anos. Até esta idade, muitas crianças ainda apresentam perdas urinárias durante o sono, o que chamamos de enurese. Pode ser causa de muita ansiedade e frustração para a criança e para os pais. Este é um problema quase sempre transitório e de fácil tratamento. Algumas crianças podem ter incontinência urinária durante o dia e infecções urinárias. Nestes casos é necessária maior atenção e identificação da causa do problema.

Existem diferentes tipos principais de incontinência urinária?

Os principais tipos de incontinência urinária são a incontinência urinária aos esforços e a incontinência urinária de urgência. A incontinência urinária aos esforços (IUE) é a queixa de perda urinária ao fazer esforços, como tossir, espirrar ou carregar pesos. É causada pelo enfraquecimento do esfíncter urinário e dos elementos de sustentação da uretra e da bexiga. Fatores que possam enfraquecer estas estruturas tais como a multiparidade (mulheres) ou cirurgias ginecológicas podem aumentar o risco. Em mulheres, a IUE corresponde a cerca de 40 a 70% dos casos de IU. Em homens, a IUE é rara e tem como principal causa as cirurgias prostáticas.

A incontinência urinária de urgência é a queixa de perda de urina acompanhada ou precedida pela sensação de urgência para urinar. A pessoa sente uma vontade repentina e incontrolável de urinar e não consegue chegar a tempo ao banheiro. Geralmente a pessoa urina com grande frequência durante o dia e mesmo durante a noite, o que pode comprometer o sono. Também recebe o nome de bexiga hiperativa. Na maior parte das vezes, não há uma causa aparente. Doenças neurológicas aumentam o risco deste tipo de problema, incluindo lesão medular, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral, Parkinson e outras.

Homens com hiperplasia benigna da próstata (HBP) também podem apresentar este problema. A avaliação deve sempre afastar a existência de outros problemas na bexiga, tais como infecção urinária, pedra ou tumores. A prevalência da bexiga hiperativa é bastante alta na população geral, atingindo cerca de 5% dos homens e mulheres com menos de 40 anos e até 35% da população acima de 70 anos.

Como é feita a avaliação da pessoa que tem incontinência urinária?

A avaliação inicial se baseia na história clínica, para caracterizar os sintomas e o tipo de incontinência. O exame físico e alguns poucos exames laboratoriais são importantes para confirmar o diagnóstico e excluir problemas de maior gravidade que requeiram exames específicos. É fundamental avaliar o impacto da incontinência urinária na qualidade de vida e o desejo do paciente de ser tratado.

Quem precisa de tratamento para a incontinência urinária?

Esta é uma questão importante, pois nem todos precisam ser tratados. Na maioria das vezes, a incontinência urinária representa um problema que é principalmente de qualidade de vida. Isto é, não há um risco significativo para a saúde física da pessoa. Assim, quando a incontinência é leve e a pessoa não se sente incomodada, o tratamento pode ser desnecessário. Existem situações, entretanto, nas quais a incontinência urinária é uma manifestação de problemas mais graves, que podem ser seguidos por infecções urinárias e até mesmo perda da função dos rins. Nestes casos, o tratamento é mandatório.

Quais são os tratamentos para a incontinência urinária?

As alternativas de tratamento são várias e baseiam-se na causa da incontinência urinária e na gravidade do problema, levando-se sempre em consideração a preferência do paciente. Geralmente são favorecidas as medidas mais simples e com menos chances de efeitos colaterais. Incluem mudanças comportamentais e de estilo de vida como evitar excesso de líquidos, realizar micções periódicas, tratar obstipação e outros problemas clínicos como diabetes e obesidade. Também pode incluir a fisioterapia para o assoalho pélvico e bexiga. Existem também medicamentos com ótima eficácia, notadamente para casos de incontinência de urgência e homens com problemas prostáticos.

Em casos mais complexos ou que não tiveram boa resposta ao tratamento conservador, vários tipos de procedimentos cirúrgicos podem ser oferecidos, geralmente através de cirurgias minimamente invasivas, isto é, de baixo risco e rápida recuperação. Destacam-se os tratamentos atuais da incontinência urinária em mulheres através da colocação de fina faixa sob a uretra (chamada cirurgia de sling), a aplicação da toxina botulínica na bexiga para casos de incontinência de urgência e o implante de um marca-passo da bexiga (neuromodulador). Nos homens com incontinência urinária de esforço (na maioria das vezes após cirurgia de próstata), as cirurgias de sling ou implante de esfíncter artificial podem ser ótimas opções.

Apesar das elevadas taxas de sucesso destas técnicas, complicações cirúrgicas não são raras e a decisão sobre qual tipo de tratamento é ideal para cada paciente deve ser sempre compartilhada entre o paciente e seu médico.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

26fev/20

Tenho ejaculação precoce?

A adolescência marca o início da vida sexual de muitos meninos e as descobertas durante a relação íntima pode gerar dúvidas. A ejaculação precoce (EP) pode surgir como uma “pedra no sapato” de muitos jovens que vivenciam este momento com natural ansiedade, mas que por medo, podem acabar evitando novas situações de intimidade sexual.

Nesse sentido é importante que todos saibam o que é a ejaculação precoce e como ela pode ser tratada.

A ejaculação precoce ocorre quando o homem ejacula mais cedo do que ele pretende. A Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM) especifica três critérios para definir a ejaculação precoce:

O período entre a penetração e a ejaculação é menor do que o desejado.
Quando o homem não consegue controlar quando ejacula.
Quando o homem se sente angustiado com a situação.
Para que se possa considerar a ejaculação precoce é importante que os homens tenham uma ideia realista de qual é o tempo normal para ejaculação, e isto pode variar entre 5 e 7 minutos.

Classificação

A ejaculação precoce pode ser classificada como vitalícia ou adquirida.

A vitalícia é quando o homem enfrenta o problema desde da sua primeira experiência sexual e é caracterizada por uma ejaculação que ocorre sempre ou quase sempre antes do início da relação sexual ou dentro de um minuto após a penetração vaginal. Além disso há uma incapacidade de retardar a ejaculação em todas ou quase todas as penetrações vaginais, e que pode levar a consequências pessoais negativas, tais como angústia, incômodo, frustração fazendo com que muitos homens passem a evitar a intimidade sexual.

Já a adquirida é caracterizada quando o homem desenvolve a ejaculação precoce após um período de funcionamento sexual normal, onde é percebido uma redução significativa no período entre a penetração e a ejaculação para cerca de 3 minutos ou menos levando a consequências pessoais negativas, como angústia, incômodo, frustração fazendo também com que muitos homens passem a evitar a intimidade sexual.

Há uma causa?

Pesquisas ainda não conseguem estabelecer com exatidão as causas para a ejaculação precoce, mas já tem sido associada a condições de saúde como prostatite (inflamação da próstata), ansiedade e outras questões psicológicas. Alguns especialistas dizem existir uma relação genética para a EP, já outros acreditam em um desequilíbrio químico ou alterações de sensibilidade do receptor no cérebro de alguns homens.

Muitos homens com ejaculação precoce sentem-se envergonhados, ansiosos, deprimidos e preocupados em agradar a parceira. Homens solteiros às vezes evitam novos relacionamentos por causa do estresse gerado pela condição.

No jovem, a causa costuma estar relacionada à ansiedade e à inexperiência do ato sexual. O tratamento é realizado basicamente por meio de psicoterapia sexual (podendo ser do tipo comportamental) e de farmacoterapia.

Todos os homens, principalmente os jovens preocupados com a ejaculação precoce devem ser encorajados a procurar um urologista. Existem várias estratégias de tratamentos disponíveis que podem ajudar os homens a retardarem o tempo da ejaculação.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

12fev/20

‘‘Bexiga Fraca’’ é consequência da HPB

O processo de envelhecimento também contribui negativamente para a função da bexiga

O aumento benigno da próstata (HBP) é uma condição muito frequente na população masculina. Sabe-se que fatores hormonais e genéticos estão relacionados à ocorrência do aumento da próstata ao longo da vida do homem. Estima-se que 40% dos indivíduos na faixa etária entre 60 e 70 anos irão apresentar sintomas urinários em decorrência desse aumento. Isso ocorre porque o canal da urina (uretra) passa através da próstata, levando a urina da bexiga até o meio externo.

“A chamada ‘bexiga fraca’ é uma complicação de difícil tratamento, que pode ser consequência da obstrução crônica gerada pelo aumento benigno da próstata e também pode estar relacionada ao processo de envelhecimento da bexiga”

O aumento do volume da parte mais interna da próstata pode dificultar a passagem da urina e o esvaziamento da bexiga, causando obstrução ao fluxo urinário. Os sintomas mais comumente relatados pelas pessoas que sofrem com essa situação incluem:

jato urinário fraco
jato interrompido ou dividido
sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
necessidade de ir muitas vezes ao banheiro durante o dia ou à noite
e gotejamento de urina ao final da micção.
Esses sintomas podem causar prejuízo significativo na qualidade de vida.

Felizmente, há diversos medicamentos disponíveis para o tratamento dos sintomas urinários gerados pelo aumento da próstata. Esses medicamentos podem propiciar melhora do fluxo urinário, facilitar o esvaziamento da bexiga e até mesmo reduzir o volume da próstata.

O médico urologista é o profissional habilitado para avaliar qual o melhor tratamento para cada caso. Essa escolha depende basicamente do tamanho da próstata, da gravidade dos sintomas e do risco de complicações associadas ao aumento benigno. Quando os medicamentos não são efetivos na melhora dos sintomas urinários (ou quando o paciente opta por não usar medicamentos), existe também a possibilidade de considerar tratamento cirúrgico. Existem várias técnicas minimamente invasivas que podem ser indicadas neste contexto. Essas técnicas promovem a remoção da parte mais interna da próstata, facilitando o esvaziamento da bexiga no pós-operatório, com período mínimo de internação hospitalar na maioria dos casos.

Tendo em vista que os sintomas urinários são progressivos (isto é, pioram ao longo dos anos), os homens costumam se adaptar a essa situação através de idas mais frequentes ao banheiro e com restrição da ingesta de líquidos, evitando, assim, procurar auxílio médico. Essa é uma conduta desaconselhável, pois existe um risco de prejuízo à função da bexiga ao longo do curso da doença. A chamada “bexiga fraca” é uma complicação de difícil tratamento, que pode ser consequência da obstrução crônica gerada pelo aumento benigno da próstata e também pode estar relacionada ao processo de envelhecimento da bexiga. Dependendo do grau de comprometimento da bexiga, mesmo após tratamento cirúrgico, o jato urinário pode permanecer fraco.

Desta forma, ressalta-se a importância da avaliação urológica precoce para definir a melhor estratégia de tratamento e para prevenir complicações relacionadas ao aumento benigno da próstata. Prevenir é melhor do que remediar. Procure o seu urologista!

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

05fev/20

Câncer de pênis: um problema brasileiro

Doença pode ser evitada com higiene adequada, prevenção de DSTs e tratamento da fimose

O câncer de pênis constitui neoplasia rara em países desenvolvidos, contrariamente ao que ocorre em regiões de baixo padrão socioeconômico como Paraguai, norte da Argentina, norte e nordeste do Brasil e alguns países da África e Ásia. Acometem em geral indivíduos com mais de 50 anos de idade e são atribuídas como causas: as altas taxas de infecções sexualmente transmissíveis, principalmente do vírus HPV, a má higiene, a presença de fimose.

“Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose”

Mulheres de parceiros portadores de câncer de pênis têm maior tendência a desenvolver câncer do colo do útero. Pacientes portadores desse tumor têm qualidade de vida afetada pela lesão genital, que apresenta crescimento contínuo. O tumor exala mau cheiro e secreções que incomodam sobremaneira. A evolução desse quadro marginaliza o paciente de suas companheiras e mesmo socialmente.

A lesão, quando não tratada, progride localmente, destrói o pênis e se espalha pelo corpo. Quando apresenta metástases (tumores a distância), a morte ocorre em geral dentro de um ano. Na fase inicial o tumor tem cura e, por essa razão, o diagnóstico de lesões no pênis deve ser feito precocemente. Toda lesão peniana que não regride rapidamente com medidas habituais deve ser estudada com biópsia.

Estabelecido o diagnóstico, deve-se avaliar a extensão da moléstia no corpo por exames especializados (ressonância magnética, tomografia etc.) e o tratamento instituído rapidamente. Este varia de acordo com as características locais e a presença/ausência de metástases. Assim, pequenas lesões podem ser retiradas ou cauterizadas e as maiores podem necessitar de amputações. Tendo-se em vista a gravidade que representa o câncer de pênis, as mensagens mais importantes a todos são representadas pela prevenção e o tratamento das lesões em fases iniciais.

Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia