12nov/19

Esclarecimento ao público sobre a importância do PSA na detecção precoce do câncer de próstata

O antígeno prostático específico (PSA) é o marcador mais utilizado no auxílio ao diagnóstico de câncer de próstata. Isoladamente, o PSA elevado não significa necessariamente que o indivíduo tem câncer de próstata ou que tem um câncer que evoluiria de forma agressiva. Por isso, fazer ou não fazer o exame do PSA passa pelo questionamento de que poderia significar um excesso de diagnósticos em pacientes que não precisariam necessariamente ser tratados.

Por outro lado, é importante lembrar que o sucesso do tratamento do câncer está diretamente relacionado com a detecção precoce da doença e que aguardar por sintomas pode diminuir as chances de cura, uma vez que, especialmente no câncer de próstata, estes ocorrem APENAS quando a doença já se encontra em estágio avançado, não mais passível de cura, quando a janela de cura foi perdida.

Uma das principais vantagens do avanço tecnológico da humanidade é o de nos propiciar uma melhor qualidade de vida e uma vida mais longa do que nossos antepassados. De nada vale toda a tecnologia se ela não se voltar ao bem-estar da humanidade.

É reconhecido que o rastreio universal do câncer de próstata pelo exame de toque retal e pela medida do PSA no sangue é controverso e que a literatura traz dados conflitantes, especialmente com relação aos prejuízos potenciais provocados por um diagnóstico de câncer e efeitos colaterais do tratamento, comparados ao impacto na mortalidade de um diagnóstico precoce.

A suspensão do diagnóstico precoce nos Estados Unidos, que foi motivada pela recomendação da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (US Preventive Services Task Force – USPSTF) em 2012, trouxe preocupação pelo substancial aumento do número de casos de doença avançada e dos custos com quimioterapia e hormonioterapia, além daqueles decorrentes das complicações desses tratamentos.

Em maio de 2018, a própria USPSTF reconheceu que os programas de rastreamento baseados na medida do PSA em homens com idade entre 55 e 69 anos podem, a cada 1000 homens testados, evitar cerca de 2 mortes por câncer de próstata e prevenir cerca de 3 casos de câncer de próstata metastático. É importante ressaltar que o câncer metastático é uma condição clínica muito mais grave, exigindo cuidados específicos, mais custosos e reduzida chance de cura, perda de qualidade de vida e elevada taxa de mortalidade.

A partir destas informações, a USPSTF concluiu que, para homens com idade entre 55 e 69 anos, a decisão de se submeter à triagem periódica baseada na medida do PSA deve ser individual e deve incluir a discussão dos possíveis benefícios e danos da triagem com seu médico.

A SBU – Sociedade Brasileira de Urologia e a SBPC/ML – Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial não recomendam o rastreamento universal, mas sim recomendam a consulta com urologista a partir dos 50 anos de idade, especialmente para homens saudáveis, com expectativa de vida maior que 10 anos. A partir da avaliação médica, o médico e o paciente podem discutir e decidir em conjunto sobre os riscos e benefícios de realizar a triagem pelo PSA. Duas exceções se aplicam: negros e seus descendentes e aqueles com histórico de câncer de próstata na família que devem começar a fazer exame de próstata aos 45 anos. A frequência do exame é bastante variável, podendo ser anual ou mesmo a cada 4 anos, e é o seu urologista quem irá determinar essa periodicidade.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

 

06nov/19

Homens não relacionam obesidade com diminuição da testosterona

Conclusão é de pesquisa nacional. A redução do hormônio masculino com a idade, conhecida popularmente como andropausa, afeta de 15 a 20% dos homens acima dos 50 anos

Grande parte dos brasileiros não desconfia que a obesidade é um dos principais fatores relacionados à andropausa, condição multifatorial caracterizada pela queda dos níveis de testosterona em homens, também conhecida como hipogonadismo. Em pesquisa recente, realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) em parceria com o Laboratório Bayer, cerca de 83% dos homens maduros (50 aos 70 anos) não relacionaram a obesidade à condição e, entre os mais jovens (18 aos 22 anos), o número sobe para 89%.

A pesquisa realizada com 2.000 homens de sete capitais (Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo) aponta que a população masculina mais madura credita a redução de testosterona principalmente ao excesso de trabalho e estresse do dia a dia (20%) e mudanças nos níveis hormonais (18%). Entre os mais jovens, a falta de qualidade de vida (24%) e, também, as mudanças nos níveis hormonais (20%) foram as mais citadas. A obesidade foi lembrada por 17% na faixa etária mais elevada e por 11% na mais baixa.

Entre as preocupações masculinas ligadas à saúde, a pesquisa apontou que as doenças que mais os afligem são as cardiovasculares (33% entre os mais maduros e 25% entre os mais jovens) seguidas da impotência sexual (20% em ambas as faixas etárias). A obesidade foi apontada pelos entrevistados em um percentual menos expressivo, 6% entre os mais maduros e 12% entre os mais jovens.

Hoje, a obesidade é apontada pela Organização Mundial da Saúde como um dos maiores problemas de saúde pública, com um enorme impacto econômico na sociedade. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso e mais de 700 milhões, obesos. Já no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), a doença vem crescendo cada vez mais, e levantamentos apontam que mais de 50% da população brasileira já está acima do peso.

Entre os impactos negativos que a obesidade pode causar à saúde do homem estão o maior risco de aterosclerose, diabetes, síndrome metabólica, doença hepática gordurosa não alcoólica, problemas cardíacos e disfunção erétil (popularmente chamada de impotência sexual), o que prova que a doença representa um sério fator de risco para a redução da qualidade e da expectativa de vida.

“Alertamos que estar fora do peso é um risco para a saúde dos homens, pois pode desencadear várias doenças como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, bem como influenciar o surgimento do hipogonadismo em homens maduros, isso porque o excesso de tecido adiposo altera o funcionamento da hipófise e dos testículos, inibindo a produção da testosterona. Esse quadro é mais acentuado a partir dos 45 anos”, reforça o urologista Archimedes Nardozza Jr., presidente da SBU.

A queda da testosterona traz diversos problemas aos homens e prejudica diretamente a qualidade de vida ao provocar alterações de humor, cansaço, sensação de perda de energia e diminuição das massas óssea e muscular. Além disso, afeta também a vida sexual ao diminuir a libido e desencadear a disfunção erétil, o que é uma preocupação para um número significativo de homens como aponta a pesquisa.

Um problema que tem solução

Por ser considerada uma doença crônica, a obesidade necessita de intervenção médica, pois sem tratamento contribui de forma significativa para uma série de efeitos adversos sobre o sistema cardiovascular. Assim, a perda de peso nestes pacientes, em qualquer momento da vida adulta, pode resultar em benefício para a saúde. “Para viver com saúde e qualidade, além de buscar uma alimentação saudável e a prática de atividade física, é preciso reforçar a importância da consulta médica e da realização de exames periódicos. Dessa forma, se existir alguma anormalidade, o médico irá avaliar e indicar o tratamento adequado”, completa Dr. Archimedes.

Um estudo publicado neste ano no International Journal of Obesity avaliou prospectivamente 411 homens hipogonádicos e obesos que foram tratados com reposição hormonal, durante um período de 8 anos e foi observada significativa perda de peso na maior parte deles (perda de peso > 10% em mais de 65% dos pacientes). A reposição de testosterona em homens com hipogonadismo tem como objetivo normalizar os níveis hormonais e controlar os sinais e sintomas relacionados ao problema. Segundo o Dr. Farid Saad, coautor do estudo, “a reposição de testosterona em pacientes com hipogonadismo em longo prazo foi associada com aumento de massa magra, redução de peso e da circunferência abdominal”.
Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

30out/19

Câncer de bexiga: tabagismo é principal fator de risco

O câncer de bexiga é o décimo primeiro tumor mais prevalente na população – acomete mais frequentemente homens. Seu aparecimento e o risco de levar a óbito são afetados diretamente pelos hábitos de vida dos pacientes. O tabagismo é o principal fator associado ao aparecimento dessa doença. Outras condições, como exposição a substâncias tóxicas presentes em derivados do petróleo e tintas, também aumentam esse risco.

Em cerca de 75% dos casos esse diagnóstico é realizado em uma fase inicial, sendo possível um tratamento com maiores taxas de cura e menores riscos. O principal sinal desse tumor é o aparecimento de sangue na urina. Além desse, sintomas como irritação na bexiga e necessidade de micção com urgência são outros achados que indicam investigação.

“O tabagismo é o principal fator associado ao aparecimento dessa doença. Outras condições, como exposição a substâncias tóxicas presentes em derivados do petróleo e tintas, também aumentam esse risco”

Diante da suspeita, inicia-se a investigação com exame microscópico de urina e de imagem. Entre eles, a ecografia (ultrassonografia) é a primeira forma de avaliação, servindo muitas vezes como triagem inicial. Embora esse exame tenha bons resultados, alguns pacientes necessitarão complementar a investigação com a realização de uma urotomografia computadorizada, que permite uma ampla avaliação do trato urinário inferior e superior.

Além desses exames, em pacientes com fatores de risco, diante da suspeita de tumor de bexiga, está indicada a realização de cistoscopia (exame endoscópico que visualiza toda a camada interna da bexiga). Caso apresente alguma alteração, pode ser realizada biópsia.

Tratamento

Uma vez diagnosticada a presença de uma lesão suspeita dentro da bexiga, o próximo passo é a retirada dessa área. Portanto o diagnóstico definitivo de câncer de bexiga só ocorre após essa avaliação patológica. Atualmente esse processo é realizado por meio de um aparelho introduzido pela uretra, chamando-se de ressecção transuretral (RTU). De acordo com a análise patológica, essa RTU inicial pode ser suficiente para o tratamento. Já alguns casos podem necessitar de nova ressecção para melhor avaliação da doença.

De acordo com a análise patológica dessa nova ressecção (Re RTU), um tratamento complementar com uso de medicamentos intravesicais pode ser necessário. O mais frequente é o uso de solução de BCG intravesical, por um período que varia de seis semanas até três anos.

Em cerca de 25% dos pacientes, esse procedimento evidencia a presença de uma doença mais grave, invasiva, com necessidade de tratamentos mais complexos. Nesses casos, determinados como músculo invasivo, a retirada completa da bexiga (cistectomia radical) é considerada o principal tratamento com intenção curativa.

Alguns tumores músculo-invasivos podem ser tratados com a preservação da bexiga, através de uma RTU extensa associada a radioterapia e quimioterapia. Mesmo sem a retirada completa da bexiga, esse tratamento também pode ser curativo.

Outro dado muito importante é o seguimento, visto que esses pacientes possuem um risco de voltar a ter tumor na bexiga. Portanto serão classificados de acordo com esse risco. Os exames que serão necessários no acompanhamento do paciente podem variar em cada caso.

O diagnóstico precoce e o tratamento rápido aumentam as chances de cura da doença, assim como o seguimento adequado prolonga a vida dos pacientes.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

25out/19

Testículos assimétricos – Fique Atento!

Percebo que meus testículos são diferentes de tamanho um ou outro. Isso pode ser alguma doença?
O normal é ter testículos simétricos ou discretamente assimétricos. Embora a puberdade acabe na maioria dos homens até os 18 anos, os testículos costumam crescer até os 21 anos. O tamanho testicular normal de um homem adulto varia de 15cm3 até 25cm3, embora alguns homens tenham volumes testiculares ainda maiores do que isso. Uma variabilidade normalmente aceita é de até 20% de diferença entre os testículos. Quando a diferença ultrapassa os 20%, deve-se investigar se existe alguma doença que possa estar ocasionando isso. A varicocele, que geralmente afeta o lado esquerdo de uma forma mais importante, pode ocasionar um retardo de crescimento nos testículos em evolução ou até mesmo uma perda de volume nos adultos jovens. Outra doença que gera uma diferença de volume testicular de uma maneira muito rápida é o tumor de testículo, em que o testículo afetado pode dobrar de tamanho em poucas semanas.

Importante ressaltar que a posição dos testículos também pode estar diferente na bolsa testicular, sendo muito comum o testículo esquerdo posicionado mais inferiormente que o lado direito. O contrário também pode ocorrer, mas é menos comum de ser observado. Adolescentes que têm varicocele importante no lado esquerdo comumente apresentam o testículo esquerdo mais inferior e numa posição “deitada” na bolsa testicular em relação ao direito.

Dica! Não demore para procurar um urologista se você acha que seus testículos são diferentes um do outro em tamanho. Na grande maioria das vezes isso será algo normal e não representará nenhum problema de saúde, porém, se houver alguma doença importante, é a chance de fazer o diagnóstico com rapidez e tratar logo o problema.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

23out/19

Varicocele atinge 40% dos homens com infertilidade
Doença caracteriza-se pela dilatação das veias dos testículos

A varicocele é uma doença que atinge 40% dos homens com infertilidade conjugal, sendo caracterizada pela dilatação das veias de drenagem dos testículos. É causada pelo refluxo de sangue nessas veias e pode ser chamada também de varizes testiculares ou escrotais.

A doença provoca mudanças funcionais no testículo, que determinam alteração na qualidade dos espermatozoides, levando à infertilidade.

Essa doença não tem sintomas e normalmente é diagnosticada quando se investiga a infertilidade do casal. O diagnóstico é feito no exame físico, palpando-se o cordão inguinal, com paciente em pé e fazendo força com o abdome (manobra de Valsalva). O exame de imagem ecodoppler testicular ou dos funículos espermáticos não é recomendado como exame de diagnóstico inicial, e sim para auxiliar nos casos de dúvida, nunca para diagnóstico sem antes o paciente ser examinado.

“A doença provoca mudanças funcionais no testículo, que determinam alteração na qualidade dos espermatozoides, levando à infertilidade”

O tratamento da varicocele é realizado com cirurgia, pela via subinguinal (na virilha) e com técnica microcirúrgica (utilizando microscópio cirúrgico na operação). A cirurgia é realizada em regime ambulatorial, com alta no mesmo dia. Essa técnica garante a melhora da qualidade seminal entre 60-75% dos pacientes operados e gravidez natural em 30% dos casais após 24 meses da cirurgia.

Para se prevenir, a melhor estratégia é sempre usar camisinha na relação sexual e, ao perceber essas alterações características da doença, o paciente deve imediatamente procurar o seu urologista.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

21out/19

Cálculo urinário: é preciso mudar alimentação para evitar recidiva

A presença de cálculo no trato urinário, chamada de urolitíase, possui alta prevalência, o que a torna uma das principais doenças na Urologia. Sua incidência pode chegar até 20% em alguns países, apresentando grandes variações conforme fatores geográficos, climáticos, étnicos, alimentares e genéticos.

Além dessa alta prevalência, a taxa de recidiva pode chegar a 50%. Portanto os fatores envolvidos são de fundamental avaliação, visto que podemos tentar reduzir esse risco de desenvolvimento e recidiva.

” (…) A maioria dos cálculos urinários é composta de cálcio, muitas vezes visíveis em radiografias de abdome. Porém alguns pacientes possuem cálculos não visualizados no raio-X, esses podem apresentar outras composições, como ácido úrico e elementos relacionados a drogas”

O diagnóstico dessa condição varia com a situação que leva à procura pelo médico. Em quadros de dor aguda (cólica renal), a primeira conduta é o alívio imediato da dor, seguido pela realização de exames laboratoriais de sangue, urina e imagem do trato urinário. O exame com menores riscos e menos invasivo é a ecografia (ultrassonografia), sendo essa usada na maioria dos serviços como primeiro exame. A radiografia de abdome simples também pode ser uma boa opção nessa avaliação inicial. No entanto alguns casos podem deixar dúvidas ou exigir uma avaliação com mais detalhes, sendo necessária a realização de uma tomografia computadorizada.

De acordo com os dados clínicos, laboratoriais e a imagem, definiremos a melhor conduta para cada caso. Sendo que o tratamento pode variar desde a observação e seguimento até a necessidade de um procedimento cirúrgico de emergência.

Tratamento

A maioria dos pequenos cálculos (<5mm) que se apresenta no canal da urina entre o rim e a bexiga (ureter) evolui com eliminação espontânea durante um determinado período, que pode chegar a seis semanas. Se as condições permitirem, esses pacientes podem ser apenas acompanhados, ficando a remoção do cálculo indicada em situações específicas.

Quanto maior o cálculo, menor é a chance de passagem espontânea, sendo muitas vezes necessária a realização de procedimentos, como litotripsia extracorpórea (máquina que emite energia em forma de ondas externas ao corpo e fragmenta o cálculo), ureterolitotripsia (cirurgia que consiste na introdução de um aparelho pelo canal da urina para quebra do cálculo com uso de energia a laser) e outras modalidades mais invasivas que felizmente são menos frequentes (cirurgia aberta ou videolaparoscópica).

Prevenção

Assim como o tratamento dos casos agudos é importante, a prevenção de formação de novos cálculos é de igual relevância, pois até metade dos pacientes pode voltar a ter cálculos. Portanto a avaliação médica pelo urologista após o tratamento da cólica renal é indispensável. A investigação dos fatores associados irá auxiliar na tentativa de reduzir a formação de cálculos durante toda a vida.

Medidas simples, como aumentar o consumo de água (cerca de 2 a 2,5 litros por dia) e reduzir a ingesta de sódio (sal) e proteínas (carnes em geral), apresentam sucesso na prevenção de todos os cálculos urinários. Outras medidas e medicamentos podem auxiliar, mas necessitam de uma avaliação completa antes de serem estabelecidos.

Pacientes portadores de urolitíase devem sempre estar atentos a essas orientações, assim como a população em geral. Sempre que tiver alguma suspeita desse diagnóstico, a avaliação pelo urologista irá esclarecer todas as dúvidas e será imprescindível para o melhor tratamento.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

14out/19

Como evitar o xixi na cama?

Fazer xixi na cama após os 5 anos é uma doença que atinge cerca de 15% das crianças. Se seu filho faz parte desse número, não o reprima, procure ajuda médica para tratá-lo. Punir a criança pode piorar ainda mais seus sintomas e sua qualidade de vida. Conheça mais a doença chamada de enurese noturna.

– O que é enurese noturna?

Enurese é a perda involuntária de urina durante o sono após os 5 anos.

“44% das crianças cujo um dos pais teve enurese e 77% daquelas que ambos os pais tiveram enurese terão enurese”

– Poderia explicar quais são os tipos de enurese noturna?

Classificação da Enurese

* Quanto ao tempo de início

Primária: Quando a criança sempre teve enurese.

Secundária: Quando a criança ficou pelo menos 6 meses sem apresentar enurese e voltou a apresentar.

* Quanto aos sintomas

Monossintomática: O único sintoma é a enurese.

Não monossintomática: Quando, além da enurese, a criança apresenta outros sintomas miccionais, como urgência, incontinência, etc.

– Quando procurar um médico para auxílio?

Se, após os 5 anos, a criança ainda apresentar enurese.
– Quais são as causas da enurese noturna?

A enurese tem causas multifatoriais, sendo as principais:

* Genética: 44% das crianças cujo um dos pais teve enurese e 77% daquelas que ambos os pais tiveram enurese terão enurese.

* Poliúria Noturna: Algumas crianças com enurese apresentam uma alteração na secreção noturna do ADH (Hormônio Antidiurético) e terão a produção de urina aumentada durante a noite.

* Hiperatividade Vesical Noturna: Algumas crianças apresentam contrações involuntárias da bexiga durante o sono, que causam a perda de urina.

* Distúrbios do Sono e Despertar: Criança com enurese tem dificuldade de despertar, não acordando com os sinais da bexiga cheia ou com a contração da mesma (hiperatividade vesical).

– Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito, basicamente, através de uma história clínica bem detalhada, quando o médico obtém os dados e detalhes dos sintomas da crianças e com uso de um instrumento chamado Diário Miccional, no qual se avalia o padrão miccional da criança durante o dia e o volume que ela urina durante a noite.
– Quais são os tratamentos existentes hoje em dia para o problema?

O tratamento da enurese deve ser individualizado, sendo que cada criança, dependendo do tipo de enurese que apresenta, responderá melhor a um tipo de tratamento. É importante lembrar que a resposta ao tratamento da enurese é lenta e o envolvimento e participação tanto da criança quanto da família são extremamente importantes para o sucesso.

* Tratamento Comportamental: Feito em todas as crianças em conjunto com os outros tratamentos. Baseia-se na mudança de alguns hábitos, como a redução da ingestão de líquidos à noite e aumento da ingestão no início do dia, orientação para urinar em intervalos regulares de cerca de 3 horas durante o dia, ao acordar e antes de dormir; reduzir o consumo de alimentos que contêm cafeína e alimento cítricos; reduzir o consumo de sal, principalmente no final do dia. Além disso, usa-se um instrumento chamado de Diário de Noites Secas, no qual os episódios de enurese são anotados. Esse diário, além de estimular a criança, serve para controle do tratamento.

* Tratamento de Condicionamento (Alarme): Uso de um dispositivo de alarme, que é colocado próximo à cabeceira da cama da criança e que contém um sensor de umidade colocado dentro da roupa íntima ou como um pequeno tapete sob o lençol. Esse sensor de umidade, quando molhado, aciona e dispara o alarme para acordar a criança, que ao longo do tempo de uso será condicionada a perceber a bexiga cheia e não mais terá episódios de enurese.

* Tratamento Medicamentoso: O principal medicamento disponível no mercado é a desmopressina, que age diminuindo a produção de urina durante a noite, portanto age melhor nas crianças com poliúria noturna.

Outros medicamentos, como os anticolinérgicos, têm resultados ruins, mas podem ser usados naqueles casos em que a criança apresenta enurese não monossintomática, com sintomas de urgência. Os antidepressivos tricíclicos, como a Imipramina, apresentam resultados muito ruins e têm risco de intoxicação se usados em doses erradas, portanto, são raramente indicados.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

11out/19

Gonorreia: é preciso tratá-la imediatamente

“A infecção na uretra pode se espalhar para outros órgãos do trato geniturinário e levar a estreitamento do canal uretral”

A gonorreia é uma infecção bacteriana que acomete a uretra (canal por onde sai a urina). Essa doença acontece depois de se ter uma relação sexual desprotegida com uma pessoa contaminada.

A gonorreia (também chamada de uretrite) se caracteriza por ardência ao urinar (a urina sai queimando e incomoda muito) e secreção no canal da urina de coloração amarelada, que pode manchar a cueca. Esses sintomas geralmente aparecem de 5 a 7 dias depois da relação sexual sem proteção.

A gonorreia precisa ser tratada imediatamente, pois ela pode ser transmitida para outras pessoas e pode causar sérios problemas para o paciente. A infecção na uretra pode se espalhar para outros órgãos do trato geniturinário e levar a estreitamento do canal uretral (doença chamada de estenose de uretra), condição de difícil tratamento e que pode levar a muita dificuldade para urinar e necessidade de realizar uma cirurgia no futuro.

Para se prevenir, a melhor estratégia é sempre usar camisinha na relação sexual e, ao perceber essas alterações características da doença, o paciente deve imediatamente procurar o seu urologista.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

07out/19

Próteses penianas: terceira linha de tratamento da disfunção erétil

“As causas mais comuns que podem levar à disfunção erétil (…) são: diabete mellitus, arteriosclerose, prostatectomia radical (retirada da próstata no câncer), radioterapia da próstata, lesões raquimedulares, traumatismos graves da bacia”

As próteses penianas são dispositivos, com formato cilíndrico, que são implantados no interior de cada um dos dois corpos cavernosos do pênis, para proporcionar rigidez peniana suficiente para a realização do ato sexual.

Existem basicamente dois tipos de próteses:

a) maleáveis ou semirrígidas – confeccionadas em silicone, contendo no seu interior uma cordoalha metálica que permite que sejam dobradas na posição para o intercurso sexual e para ficarem sob a roupa íntima.
b) infláveis ou hidráulicas – possuem uma capa externa de silicone que, como permite o influxo de soro fisiológico para o seu interior, seu enchimento promove a rigidez peniana. Essas próteses infláveis possuem três componentes: 1) as próteses propriamente ditas (cilindros), que são inseridas dentro de cada corpo cavernoso; 2) uma bomba (pump), que é implantada no interior da bolsa testicular que, por meio de sua compressão digital, promove a transferência do soro fisiológico para o interior dos cilindros; 3) reservatório do soro fisiológico, que pode estar na base dos cilindros da prótese (modelo de dois volumes) ou em um reservatório distante das próteses (modelo de três volumes).
Ambos os tipos e modelos de próteses penianas são efetivos em proporcionar rigidez peniana, porém as infláveis são consideradas mais fisiológicas por melhor reproduzir os estados de flacidez e rigidez penianas, embora possuam um índice de falha do mecanismo hidráulico ao redor de 10% e serem mais caras, na ordem de 10 a 20 vezes em relação às maleáveis.

O implante de próteses penianas está indicado nos casos de disfunção erétil de origem orgânica sem resposta satisfatória ao tratamento conservador. As causas mais comuns que podem levar à disfunção erétil, com o passar do tempo, em que não há mais ereções satisfatórias mesmo com emprego de todas as formas de tratamento conservador são: diabete mellitus, arteriosclerose, prostatectomia radical (retirada da próstata no câncer), radioterapia da próstata, lesões raquimedulares, traumatismos graves da bacia, entre outras.

A técnica cirúrgica do implante das próteses tem como etapas principais: preparo pré-operatório, escolha do(s) antibiótico(s) para profilaxia de infecção, anestesia, via de acesso cirúrgico, abertura (corporotomia), dilatação e mensuração dos corpos cavernosos, preparo e implante das próteses, revisão cirúrgica e fechamento de todas as incisões.

Existem situações especiais que necessitam de outros passos cirúrgicos adicionais, tais como: casos de fibrose da túnica albugínea e/ou dos corpos cavernosos, encurtamento, deformidade e curvatura peniana, podendo necessitar de plicatura, excisão/ressecção ou incisão de fibroses, além de enxertos de túnica albugínea.

O grau de satisfação do paciente é considerado bom, de aproximadamente 90%. Por outro lado, a diminuição do comprimento peniano tem sido a principal reclamação nos casos de insatisfação.

A principal complicação é a infecção, ocorrendo ao redor de 4% dos implantes, podendo ser maior em situações específicas, principalmente pela formação de um biofilme, ao redor dos componentes da prótese, que impede a ação dos antibióticos. Outras complicações são: perfuração dos corpos cavernosos na base (crura) ou distal (extremidade do pênis), erosão e extrusão das próteses, glande flácida, entre outras.

Assim, o implante de próteses penianas permite o retorno às atividades sexuais, em casos específicos e bem indicados. Sugere-se que todos os pacientes esclareçam suas dúvidas com seu urologista para evitar falsas expectativas, compreender os tipos de resultados, entender e executar o tratamento adequado em caso de complicações.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

02out/19

Reposição de testosterona: posicionamento da SBU

Um percentual significativo de homens, principalmente após os 40 anos de idade, vai apresentar uma diminuição dos níveis de testosterona, cujo nome adequado é Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino ou simplesmente DAEM. E essa baixa de testosterona, confirmada por exame laboratorial, pode causar prejuízos à saúde e ao bem-estar dos homens, como diminuição da cognição, do raciocínio, da força muscular, da memória, da libido, das ereções, osteopenia e perda da disposição geral. Temos medicina baseada em evidências, isto é, dados com comprovação científica que, quando diagnosticado o quadro da deficiência de testosterona (clínica e laboratorial), a reposição pode trazer benefícios, o que está nas Recomendações ou Diretrizes de muitas Sociedades médicas do Brasil, como a Sociedade Brasileira de Urologia e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, e do exterior.

A reposição de testosterona é um ato médico e quem a faz precisa de um treinamento específico para saber diagnosticar, orientar e, principalmente, para identificar as contraindicações: câncer de mama, câncer de próstata localmente avançado e interesse em paternidade, bem como fazer o monitoramento do tratamento a fim de assegurar a eficiência e a segurança. Isso deve ser discutido com o paciente e é recomendada uma avaliação da próstata antes do início do tratamento.

As formas de reposição de testosterona hoje aprovadas no Brasil são as injetáveis (curta e longa ação) e o gel transdérmico. Implantes subdérmicos ou suas associações NÃO são autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e NÃO apresentam comprovação científica para sua indicação, por isso não devem ser utilizados. Assim como também não existem preparações hormonais para retardar o envelhecimento.

Não existem especialidades médicas em “reposição hormonal”, em “modulação hormonal” ou em “antienvelhecimento” reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), portanto não existem especialistas nessas áreas.

O uso indiscriminado de testosterona ou outros hormônios pode trazer uma série de efeitos colaterais, muitas vezes irreversíveis (aumento do coração, morte súbita, risco de trombose e infertilidade) e que colocam a vida do paciente em risco. Portanto a DAEM é uma situação clínica que não é infrequente, que pode trazer prejuízo aos homens e, uma vez diagnosticada, deve ser tratada por profissionais treinados para isso.

Departamento de Medicina Sexual e Reprodução da Sociedade Brasileira de Urologia

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia