06maio/20

O que é retenção de Urina

Infecção urinária baixa recorrente, chamada no meio médico de cistite de repetição, é mais comum entre as mulheres. Isso se dá, entre outras coisas, por elas terem a uretra mais curta e mais próxima ao ânus. Estimativas apontam que metade das mulheres vai apresentar pelo menos um episódio de infecção urinária durante a vida. Fazer a higiene local da forma correta é fundamental para reduzir a contaminação e diminuir as chances de infecção.

Hábitos higiênicos são úteis à saúde de modo geral e certamente oferecem benefícios à qualidade de vida. Em relação à infecção urinária, cuidados após evacuação e após a relação sexual são aspectos que devem ser considerados como medidas preventivas. É preciso limpar a região sem passar o papel higiênico do ânus para a vagina e, sim, ao contrário. Após as relações sexuais, também deve-se lavar a região – em cerca de dois terços das mulheres mais jovens, o problema é a atividade sexual. Mas exagero na limpeza local, além de causar irritação, também pode favorecer a instalação de bactérias locais e a infecção urinária, principalmente quando são utilizados desodorantes íntimos e/ou produtos com propriedades cáusticas e esfoliantes. Roupas íntimas de material sintético também podem facilitar a proliferação de bactérias, pois reduzem a ventilação e mantêm o ambiente úmido. Por outro lado, tecidos de algodão ajudam a manter a região mais seca, tornando-a menos favorável às infecções.

Fatores de risco

Diversos fatores de risco para ocorrência de cistites recorrentes foram identificados em estudos clínicos, incluindo aumento da frequência de relações sexuais e uso de agentes espermicidas, diabetes mellitus, presença de bexiga caída (prolapso genital), retenção de urina ou incontinência urinária e menopausa.

Durante episódios de cistite, é recomendado evitar a ingestão de líquidos ou alimentos que podem irritar a bexiga, como chá, café, álcool, frutas cítricas e condimentos (como a pimenta). Recomenda-se beber pelo menos dois litros de água por dia para estimular a produção de urina, bem como evitar longos períodos de tempo sem esvaziar a bexiga. Mulheres com infecção urinária de repetição podem se beneficiar da dieta com vegetais e fibras, principalmente aquelas que sofrem de prisão de ventre.

Tratamento

O tratamento se dá por meio de antibiótico geralmente durante três dias. Em gestantes, o tratamento deve ser feito sob rigoroso acompanhamento médico, pois há medicamentos proibidos durante a gravidez.

Pacientes com episódios recorrentes podem ser submetidos a tratamento com antibiótico em dose menor e por tempo prolongado (seis meses).

Novas perspectivas

Estima-se que 85% das cistites sejam causadas pela bactéria Escherichia coli, que tem origem intestinal. Atualmente, contamos com uma vacina para infecção urinária, em forma de cápsulas, composta por componentes extraídos dessa bactéria e que atua estimulando as defesas naturais do organismo, sendo usada para prevenir infecções urinárias recorrentes. Esse é um tratamento a ser considerado em pacientes que apresentam infecções predominantemente por E. coli, documentadas em exame cultural de urina.

Alguns estudos indicam que a fruta cranberry pode auxiliar (embora ainda não haja consenso quanto à sua eficácia). O uso de lactobacilos também vem sendo estudado, com resultados promissores.

Fonte: Portal SBU – Sociedade Brasileira de Urologia

29abr/20

Câncer de pênis: um problema brasileiro

O câncer de pênis constitui neoplasia rara em países desenvolvidos, contrariamente ao que ocorre em regiões de baixo padrão socioeconômico como Paraguai, norte da Argentina, norte e nordeste do Brasil e alguns países da África e Ásia. Acometem em geral indivíduos com mais de 50 anos de idade e são atribuídas como causas: as altas taxas de infecções sexualmente transmissíveis, principalmente do vírus HPV, a má higiene, a presença de fimose.

“Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose”

Mulheres de parceiros portadores de câncer de pênis têm maior tendência a desenvolver câncer do colo do útero. Pacientes portadores desse tumor têm qualidade de vida afetada pela lesão genital, que apresenta crescimento contínuo. O tumor exala mau cheiro e secreções que incomodam sobremaneira. A evolução desse quadro marginaliza o paciente de suas companheiras e mesmo socialmente.

A lesão, quando não tratada, progride localmente, destrói o pênis e se espalha pelo corpo. Quando apresenta metástases (tumores a distância), a morte ocorre em geral dentro de um ano. Na fase inicial o tumor tem cura e, por essa razão, o diagnóstico de lesões no pênis deve ser feito precocemente. Toda lesão peniana que não regride rapidamente com medidas habituais deve ser estudada com biópsia.

Estabelecido o diagnóstico, deve-se avaliar a extensão da moléstia no corpo por exames especializados (ressonância magnética, tomografia etc.) e o tratamento instituído rapidamente. Este varia de acordo com as características locais e a presença/ausência de metástases. Assim, pequenas lesões podem ser retiradas ou cauterizadas e as maiores podem necessitar de amputações. Tendo-se em vista a gravidade que representa o câncer de pênis, as mensagens mais importantes a todos são representadas pela prevenção e o tratamento das lesões em fases iniciais.

Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose.

Fonte: Portal SBU – Sociedade Brasileira de Urologia

15abr/20

Curiosidades sobre disfunções miccionais e incontinência urinária

“Independentemente do tipo de perda urinária, é muito importante que o paciente procure um médico urologista para uma avaliação global dos seus sintomas”

Disfunção miccional é um termo genérico utilizado para se referir a problemas de função da bexiga urinária, que incluem dificuldades no armazenamento ou esvaziamento da urina. A incontinência urinária é um tipo de disfunção miccional, caracterizada pela perda involuntária de urina pela uretra.

Segundo os dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), estima-se que uma a cada 25 pessoas pode sofrer de incontinência urinária ao longo da vida. Cerca de 40% das mulheres após a menopausa perdem urina de forma involuntária. Aproximadamente 8% dos homens que necessitam de cirurgia para remoção completa da próstata (para tratamento do câncer) também podem apresentar perda involuntária de urina.

Existem três tipos básicos de incontinência urinária, listados abaixo, que podem ocorrer em ambos os sexos:

Incontinência urinária aos esforços
Incontinência urinária de urgência
Incontinência urinária por transbordamento
Incontinência urinária aos esforços – caracteriza-se pela perda involuntária de urina (via uretral) que ocorre durante manobras de esforço, como tossir, espirrar, levantar peso ou, até mesmo, mudança de posição (levantar-se da cama, por exemplo). Existem fatores de risco para a ocorrência desse tipo de perda urinária. O principal fator de risco para ocorrência de incontinência urinária aos esforços nos homens é a cirurgia radical da próstata (prostatectomia radical), que é uma das modalidades de tratamento do câncer de próstata. Em função da proximidade entre a próstata e o esfíncter urinário (esfíncter externo da uretra), este pode se tornar incompetente para manter a continência urinária no período pós-operatório. Nas mulheres, os fatores de riscos estão relacionados ao número de gestações, menopausa, obesidade e prolapsos de órgãos pélvicos (“bexiga caída”, “útero caído”).

Incontinência urinária de urgência – é a perda involuntária de urina que vem acompanhada de um desejo intenso de urinar, que é difícil de controlar (segundo definição da Sociedade Internacional de Continência – ICS). Essa modalidade de incontinência urinária também pode acometer ambos os sexos e todas as faixas etárias. A incontinência urinária de urgência ocorre quando o músculo da bexiga se contrai em momentos inadequados, mesmo com a bexiga “pouco cheia”, caracterizando o que se chama Síndrome da Bexiga Hiperativa. Quando existem sintomas de incontinência urinária aos esforços e também de urgência, utiliza-se o termo incontinência urinária mista.

Incontinência urinária por transbordamento – é aquela que ocorre quando a pessoa tem dificuldade para esvaziar completamente a bexiga. Quando há um fator obstrutivo e a bexiga urinária não se esvazia completamente durante a micção, o resíduo urinário pode se tornar cada vez maior e ocorrer a perda por transbordamento: perda contínua (gotas), com a bexiga muito cheia. O estreitamento de uretra (que é muito mais frequente em homens do que em mulheres), bem como o aumento da próstata (em homens) são as causas mais comuns desse tipo de incontinência urinária. Os pacientes com problemas neurológicos também podem apresentar esse tipo de incontinência urinária.

Muitas pessoas com incontinência urinária esperam vários anos até procurar auxílio especializado. Existe um tabu que precisa ser quebrado: mesmo na terceira idade, a perda de urina não é um evento normal! Em função de constrangimento ou falta de informação, há casos em que o indivíduo se isola do convívio social e desiste de participar de atividades de lazer e recreação. Esse tipo de atitude traz um impacto negativo à qualidade de vida e pode estar associado à depressão.

Independentemente do tipo de perda urinária, é muito importante que o paciente procure um médico urologista para uma avaliação global dos seus sintomas. Existem diversas formas de tratamento da incontinência urinária, desde tratamentos medicamentosos, exercícios do assoalho pélvico, até cirurgias minimamente invasivas.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

05mar/20

6 perguntas sobre incontinência urinária

Para entender um pouco mais a incontinência urinária, veja essa lista de dúvidas e respostas.

O que é a incontinência urinária e qual sua importância?

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina. É um problema muito frequente, que pode acometer homens e mulheres de todas as idades e apresentar variadas causas. Além da questão médica, a incontinência urinária pode comprometer a qualidade de vida e a autoestima das pessoas.

Quem pode ter incontinência urinária e quais são os fatores de risco?

De maneira geral, a incontinência urinária é duas vezes mais comum entre as mulheres do que entre os homens. Cerca de 30-40% das mulheres com mais de 40 anos apresentam algum grau de incontinência urinária. A idade é um fator de risco importante, estimando-se que a chance de apresentar incontinência urinária após os 70 anos seja de quatro a cinco vezes maior do que na faixa etária de 20 a 40 anos. Entretanto, a incontinência urinária não deve ser encarada como normal em nenhuma faixa etária, podendo ser tratada adequadamente na grande maioria dos pacientes.

“ (…) Existem situações, entretanto, nas quais a incontinência urinária é uma manifestação de problemas mais graves, que podem ser seguidos por infecções urinárias e até mesmo perda da função dos rins. Nestes casos, o tratamento é mandatório”

Além da idade, outros fatores que aumentam o risco de apresentar incontinência urinária são: o diabetes, a obesidade e a presença de doenças neurológicas. Nas mulheres, a falta de estrógeno parece também ter alguma importância.

Crianças também podem ter incontinência urinária. O controle completo da bexiga geralmente se estabelece até os 5 anos. Até esta idade, muitas crianças ainda apresentam perdas urinárias durante o sono, o que chamamos de enurese. Pode ser causa de muita ansiedade e frustração para a criança e para os pais. Este é um problema quase sempre transitório e de fácil tratamento. Algumas crianças podem ter incontinência urinária durante o dia e infecções urinárias. Nestes casos é necessária maior atenção e identificação da causa do problema.

Existem diferentes tipos principais de incontinência urinária?

Os principais tipos de incontinência urinária são a incontinência urinária aos esforços e a incontinência urinária de urgência. A incontinência urinária aos esforços (IUE) é a queixa de perda urinária ao fazer esforços, como tossir, espirrar ou carregar pesos. É causada pelo enfraquecimento do esfíncter urinário e dos elementos de sustentação da uretra e da bexiga. Fatores que possam enfraquecer estas estruturas tais como a multiparidade (mulheres) ou cirurgias ginecológicas podem aumentar o risco. Em mulheres, a IUE corresponde a cerca de 40 a 70% dos casos de IU. Em homens, a IUE é rara e tem como principal causa as cirurgias prostáticas.

A incontinência urinária de urgência é a queixa de perda de urina acompanhada ou precedida pela sensação de urgência para urinar. A pessoa sente uma vontade repentina e incontrolável de urinar e não consegue chegar a tempo ao banheiro. Geralmente a pessoa urina com grande frequência durante o dia e mesmo durante a noite, o que pode comprometer o sono. Também recebe o nome de bexiga hiperativa. Na maior parte das vezes, não há uma causa aparente. Doenças neurológicas aumentam o risco deste tipo de problema, incluindo lesão medular, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral, Parkinson e outras.

Homens com hiperplasia benigna da próstata (HBP) também podem apresentar este problema. A avaliação deve sempre afastar a existência de outros problemas na bexiga, tais como infecção urinária, pedra ou tumores. A prevalência da bexiga hiperativa é bastante alta na população geral, atingindo cerca de 5% dos homens e mulheres com menos de 40 anos e até 35% da população acima de 70 anos.

Como é feita a avaliação da pessoa que tem incontinência urinária?

A avaliação inicial se baseia na história clínica, para caracterizar os sintomas e o tipo de incontinência. O exame físico e alguns poucos exames laboratoriais são importantes para confirmar o diagnóstico e excluir problemas de maior gravidade que requeiram exames específicos. É fundamental avaliar o impacto da incontinência urinária na qualidade de vida e o desejo do paciente de ser tratado.

Quem precisa de tratamento para a incontinência urinária?

Esta é uma questão importante, pois nem todos precisam ser tratados. Na maioria das vezes, a incontinência urinária representa um problema que é principalmente de qualidade de vida. Isto é, não há um risco significativo para a saúde física da pessoa. Assim, quando a incontinência é leve e a pessoa não se sente incomodada, o tratamento pode ser desnecessário. Existem situações, entretanto, nas quais a incontinência urinária é uma manifestação de problemas mais graves, que podem ser seguidos por infecções urinárias e até mesmo perda da função dos rins. Nestes casos, o tratamento é mandatório.

Quais são os tratamentos para a incontinência urinária?

As alternativas de tratamento são várias e baseiam-se na causa da incontinência urinária e na gravidade do problema, levando-se sempre em consideração a preferência do paciente. Geralmente são favorecidas as medidas mais simples e com menos chances de efeitos colaterais. Incluem mudanças comportamentais e de estilo de vida como evitar excesso de líquidos, realizar micções periódicas, tratar obstipação e outros problemas clínicos como diabetes e obesidade. Também pode incluir a fisioterapia para o assoalho pélvico e bexiga. Existem também medicamentos com ótima eficácia, notadamente para casos de incontinência de urgência e homens com problemas prostáticos.

Em casos mais complexos ou que não tiveram boa resposta ao tratamento conservador, vários tipos de procedimentos cirúrgicos podem ser oferecidos, geralmente através de cirurgias minimamente invasivas, isto é, de baixo risco e rápida recuperação. Destacam-se os tratamentos atuais da incontinência urinária em mulheres através da colocação de fina faixa sob a uretra (chamada cirurgia de sling), a aplicação da toxina botulínica na bexiga para casos de incontinência de urgência e o implante de um marca-passo da bexiga (neuromodulador). Nos homens com incontinência urinária de esforço (na maioria das vezes após cirurgia de próstata), as cirurgias de sling ou implante de esfíncter artificial podem ser ótimas opções.

Apesar das elevadas taxas de sucesso destas técnicas, complicações cirúrgicas não são raras e a decisão sobre qual tipo de tratamento é ideal para cada paciente deve ser sempre compartilhada entre o paciente e seu médico.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

26fev/20

Tenho ejaculação precoce?

A adolescência marca o início da vida sexual de muitos meninos e as descobertas durante a relação íntima pode gerar dúvidas. A ejaculação precoce (EP) pode surgir como uma “pedra no sapato” de muitos jovens que vivenciam este momento com natural ansiedade, mas que por medo, podem acabar evitando novas situações de intimidade sexual.

Nesse sentido é importante que todos saibam o que é a ejaculação precoce e como ela pode ser tratada.

A ejaculação precoce ocorre quando o homem ejacula mais cedo do que ele pretende. A Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM) especifica três critérios para definir a ejaculação precoce:

O período entre a penetração e a ejaculação é menor do que o desejado.
Quando o homem não consegue controlar quando ejacula.
Quando o homem se sente angustiado com a situação.
Para que se possa considerar a ejaculação precoce é importante que os homens tenham uma ideia realista de qual é o tempo normal para ejaculação, e isto pode variar entre 5 e 7 minutos.

Classificação

A ejaculação precoce pode ser classificada como vitalícia ou adquirida.

A vitalícia é quando o homem enfrenta o problema desde da sua primeira experiência sexual e é caracterizada por uma ejaculação que ocorre sempre ou quase sempre antes do início da relação sexual ou dentro de um minuto após a penetração vaginal. Além disso há uma incapacidade de retardar a ejaculação em todas ou quase todas as penetrações vaginais, e que pode levar a consequências pessoais negativas, tais como angústia, incômodo, frustração fazendo com que muitos homens passem a evitar a intimidade sexual.

Já a adquirida é caracterizada quando o homem desenvolve a ejaculação precoce após um período de funcionamento sexual normal, onde é percebido uma redução significativa no período entre a penetração e a ejaculação para cerca de 3 minutos ou menos levando a consequências pessoais negativas, como angústia, incômodo, frustração fazendo também com que muitos homens passem a evitar a intimidade sexual.

Há uma causa?

Pesquisas ainda não conseguem estabelecer com exatidão as causas para a ejaculação precoce, mas já tem sido associada a condições de saúde como prostatite (inflamação da próstata), ansiedade e outras questões psicológicas. Alguns especialistas dizem existir uma relação genética para a EP, já outros acreditam em um desequilíbrio químico ou alterações de sensibilidade do receptor no cérebro de alguns homens.

Muitos homens com ejaculação precoce sentem-se envergonhados, ansiosos, deprimidos e preocupados em agradar a parceira. Homens solteiros às vezes evitam novos relacionamentos por causa do estresse gerado pela condição.

No jovem, a causa costuma estar relacionada à ansiedade e à inexperiência do ato sexual. O tratamento é realizado basicamente por meio de psicoterapia sexual (podendo ser do tipo comportamental) e de farmacoterapia.

Todos os homens, principalmente os jovens preocupados com a ejaculação precoce devem ser encorajados a procurar um urologista. Existem várias estratégias de tratamentos disponíveis que podem ajudar os homens a retardarem o tempo da ejaculação.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

12fev/20

‘‘Bexiga Fraca’’ é consequência da HPB

O processo de envelhecimento também contribui negativamente para a função da bexiga

O aumento benigno da próstata (HBP) é uma condição muito frequente na população masculina. Sabe-se que fatores hormonais e genéticos estão relacionados à ocorrência do aumento da próstata ao longo da vida do homem. Estima-se que 40% dos indivíduos na faixa etária entre 60 e 70 anos irão apresentar sintomas urinários em decorrência desse aumento. Isso ocorre porque o canal da urina (uretra) passa através da próstata, levando a urina da bexiga até o meio externo.

“A chamada ‘bexiga fraca’ é uma complicação de difícil tratamento, que pode ser consequência da obstrução crônica gerada pelo aumento benigno da próstata e também pode estar relacionada ao processo de envelhecimento da bexiga”

O aumento do volume da parte mais interna da próstata pode dificultar a passagem da urina e o esvaziamento da bexiga, causando obstrução ao fluxo urinário. Os sintomas mais comumente relatados pelas pessoas que sofrem com essa situação incluem:

jato urinário fraco
jato interrompido ou dividido
sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
necessidade de ir muitas vezes ao banheiro durante o dia ou à noite
e gotejamento de urina ao final da micção.
Esses sintomas podem causar prejuízo significativo na qualidade de vida.

Felizmente, há diversos medicamentos disponíveis para o tratamento dos sintomas urinários gerados pelo aumento da próstata. Esses medicamentos podem propiciar melhora do fluxo urinário, facilitar o esvaziamento da bexiga e até mesmo reduzir o volume da próstata.

O médico urologista é o profissional habilitado para avaliar qual o melhor tratamento para cada caso. Essa escolha depende basicamente do tamanho da próstata, da gravidade dos sintomas e do risco de complicações associadas ao aumento benigno. Quando os medicamentos não são efetivos na melhora dos sintomas urinários (ou quando o paciente opta por não usar medicamentos), existe também a possibilidade de considerar tratamento cirúrgico. Existem várias técnicas minimamente invasivas que podem ser indicadas neste contexto. Essas técnicas promovem a remoção da parte mais interna da próstata, facilitando o esvaziamento da bexiga no pós-operatório, com período mínimo de internação hospitalar na maioria dos casos.

Tendo em vista que os sintomas urinários são progressivos (isto é, pioram ao longo dos anos), os homens costumam se adaptar a essa situação através de idas mais frequentes ao banheiro e com restrição da ingesta de líquidos, evitando, assim, procurar auxílio médico. Essa é uma conduta desaconselhável, pois existe um risco de prejuízo à função da bexiga ao longo do curso da doença. A chamada “bexiga fraca” é uma complicação de difícil tratamento, que pode ser consequência da obstrução crônica gerada pelo aumento benigno da próstata e também pode estar relacionada ao processo de envelhecimento da bexiga. Dependendo do grau de comprometimento da bexiga, mesmo após tratamento cirúrgico, o jato urinário pode permanecer fraco.

Desta forma, ressalta-se a importância da avaliação urológica precoce para definir a melhor estratégia de tratamento e para prevenir complicações relacionadas ao aumento benigno da próstata. Prevenir é melhor do que remediar. Procure o seu urologista!

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

05fev/20

Câncer de pênis: um problema brasileiro

Doença pode ser evitada com higiene adequada, prevenção de DSTs e tratamento da fimose

O câncer de pênis constitui neoplasia rara em países desenvolvidos, contrariamente ao que ocorre em regiões de baixo padrão socioeconômico como Paraguai, norte da Argentina, norte e nordeste do Brasil e alguns países da África e Ásia. Acometem em geral indivíduos com mais de 50 anos de idade e são atribuídas como causas: as altas taxas de infecções sexualmente transmissíveis, principalmente do vírus HPV, a má higiene, a presença de fimose.

“Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose”

Mulheres de parceiros portadores de câncer de pênis têm maior tendência a desenvolver câncer do colo do útero. Pacientes portadores desse tumor têm qualidade de vida afetada pela lesão genital, que apresenta crescimento contínuo. O tumor exala mau cheiro e secreções que incomodam sobremaneira. A evolução desse quadro marginaliza o paciente de suas companheiras e mesmo socialmente.

A lesão, quando não tratada, progride localmente, destrói o pênis e se espalha pelo corpo. Quando apresenta metástases (tumores a distância), a morte ocorre em geral dentro de um ano. Na fase inicial o tumor tem cura e, por essa razão, o diagnóstico de lesões no pênis deve ser feito precocemente. Toda lesão peniana que não regride rapidamente com medidas habituais deve ser estudada com biópsia.

Estabelecido o diagnóstico, deve-se avaliar a extensão da moléstia no corpo por exames especializados (ressonância magnética, tomografia etc.) e o tratamento instituído rapidamente. Este varia de acordo com as características locais e a presença/ausência de metástases. Assim, pequenas lesões podem ser retiradas ou cauterizadas e as maiores podem necessitar de amputações. Tendo-se em vista a gravidade que representa o câncer de pênis, as mensagens mais importantes a todos são representadas pela prevenção e o tratamento das lesões em fases iniciais.

Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

22jan/20

Sucos cítricos auxiliam na prevenção das pedras nos rins

Ácido cítrico presente na limonada tem fatores protetivos

A formação do cálculo renal, mais conhecido como pedra nos rins, em pessoas predispostas está ligada diretamente à alimentação. Uma dieta rica em proteína animal e sal e pobre em ingestão de água propicia seu aparecimento. De acordo com a cartilha do Departamento de Terapia Minimamente Invasiva da Sociedade Brasileira de Urologia, suco de frutas cítricas, como limão, protegem o organismo da formação de pedras renais.

Para prevenir o problema, além da mudança de hábitos alimentares, é preciso fazer exercícios e perder peso.
Segundo os especialistas, saber a composição do cálculo é importante para definir uma dieta preventiva mais eficiente. Cerca de 80% das pedras são formadas por cálcio. Também existem os cálculos formados por ácido úrico.

Entre os tratamentos para o problema estão métodos endoscópicos pouco invasivos e energia laser para fragmentação de todos os tipos de cálculos urinários. Além disso, tratamentos mais consagrados como a litotripsia extracorpórea (energia de onda de choque aplicada ao cálculo urinário sem cortes ou uso de endoscópios) também receberam contribuições tecnológicas que tornaram os métodos mais adequados ao paciente.

Dicas de prevenção:

Beba no mínimo 2 a 3 litros de líquidos por dia
Use o mínimo de sal possível no preparo dos alimentos e não adicione sal na comida
Prefira os alimentos integrais aos refinados
Consuma legumes cozidos ou crus e verduras de folha
Consuma pelo menos 3 a 4 frutas ao dia

Evite:

Azeitonas, bacalhau, salgadinhos, queijos amarelos, temperos e molhos prontos (catchup, mostarda, shoyu, caldos concentrados, molho inglês, sopas de pacote, cubos de caldos de carne e outros), produtos com glutamato monossódico, embutidos (salsicha, mortadela, linguiça, presunto, salame, paio, carne seca)
Conservas (picles, azeitona, aspargo, palmito, milho, patês, algas, chucrutes, maionese pronta)
Enlatados (extrato de tomate, milho, ervilha, seleta de legumes e outros)
Carnes salgadas (charque, camarão seco, defumados)
Salgadinhos para aperitivos (batata frita, amendoim salgado, castanhas, chips)
Bolachas salgadas, recheadas, margarina ou manteiga com sal, requeijão normal ou light
Café, bebidas achocolatadas e chocolate, chá preto, mate ou verde, espinafre, nozes, mariscos e frutos do mar. Esses alimentos contribuem para a formação de cálculos, pois são ricos em oxalato. Portanto, use com moderação.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

08jan/20

Reversão de vasectomia

“Por ser uma cirurgia minuciosa e delicada, a reversão necessita de tempo cirúrgico maior que a vasectomia, geralmente de três a quatro horas”

Aproximadamente 4 a 6% dos homens que realizaram vasectomia voltam a manifestar o desejo de ter filhos. Nesses casos, a reversão da vasectomia é possível na maioria das vezes. Porém, muitos casais desconhecem que existe a reversão de vasectomia ou ainda acreditam que somente podem ser revertidas vasectomias com menos de dois anos.

Antes de realizar a reversão, o paciente deve fazer avalição urológica e exames pré-operatórios específicos para estimar a taxa de sucesso e, obviamente, a esposa deve ser fértil.

A cirurgia consiste na religação (anastomose) dos canais que conduzem os espermatozoides, os deferentes, que foram interrompidos por ocasião da vasectomia. Como os deferentes possuem diâmetros pequenos, ou seja, o diâmetro interno do deferente é na ordem de décimos de milímetro, a reversão da vasectomia necessita do emprego de microscópio cirúrgico, fios e instrumentais de microcirurgia. Por ser uma cirurgia minuciosa e delicada, a reversão necessita de tempo cirúrgico maior que a vasectomia, geralmente de três a quatro horas.

O sucesso da reversão depende de vários fatores, principalmente:

do tempo decorrido entre a vasectomia e a sua reversão, sendo melhores os resultados quanto menor for esse tempo. Por outro lado, com a evolução científica nessa área, atualmente existem muitos relatos de sucesso de reversões em vasectomias com mais de 25 anos;
do tipo de técnica empregada na vasectomia. Vasectomias que preservam melhor os deferentes, evitando lesões e ressecções extensas dos mesmos, apresentam melhores taxas de sucesso de suas reversões;
da qualidade da cicatrização do paciente;
da produção testicular de espermatozoides, habitualmente mantida após a vasectomia;
da presença de espermatozoides no líquido do deferente no intraoperatório da reversão, e de seu aspecto macroscópico;
da experiência do urologista e de sua habilidade em microcirurgia.
Quando a reversão não tiver sucesso, ou não for a opção do casal, ou a esposa não tiver indicação para gravidez – como em casos de obstrução tubária bilateral irreversível –, a fertilização in vitro por meio da injeção intracitoplasmática dos óvulos da esposa, com espermatozoides obtidos do testículo ou do epidídimo, é uma alternativa que apresenta taxa de gravidez de aproximadamente 40%.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

18dez/19

Distúrbios miccionais associados a doenças neurológicas

O sistema nervoso é responsável pela coordenação precisa dos diferentes órgãos do trato urinário, garantindo a continência urinária durante o enchimento da bexiga e o esvaziamento completo da mesma durante a micção. Doenças ou traumatismos de diferentes partes do sistema nervoso podem afetar a coordenação dos órgãos do trato urinário e acarretar variadas formas de distúrbios da micção.

“Doenças que afetem o cérebro como derrame cerebral e doença de Parkinson podem levar à hiperatividade da bexiga”

Por serem causados por problemas neurológicos, os distúrbios da função vesical nestes pacientes também recebem o nome de “bexiga neurogênica”. Entre as doenças neurológicas que mais frequentemente cursam com distúrbios do controle da micção destacam-se os acidentes vasculares cerebrais (derrames), a esclerose múltipla, a doença de Parkinson, o traumatismo raquimedular (paraplégicos ou tetraplégicos) e outras.

O tipo de alteração no controle da micção causada pelas doenças neurológicas depende principalmente da área afetada pela doença e da função da mesma. Assim, dois pacientes com derrame cerebral (acidente vascular cerebral) podem ter sintomas urinários bastante diferentes ou até mesmo não apresentar nenhuma alteração em relação à sua micção normal antes do derrame. O mesmo é válido para outras doenças como Parkinson, esclerose múltipla, demência, etc.

Hiperatividade de bexiga

Doenças que afetem o cérebro como derrame cerebral e doença de Parkinson podem levar à hiperatividade da bexiga. Nesta circunstância, a bexiga passa a não responder completamente ao controle voluntário e pode se contrair sem a vontade do paciente. Como resultado o paciente sente vontade frequente de ir ao banheiro, às vezes de forma repentina e intensa que não consegue segurar e pode levar à perda de urina. Por vezes, entretanto, a bexiga pode assumir um comportamento diferente, não apresentando contração mesmo quando o paciente deseja urinar espontaneamente. Se isto ocorre o paciente apresenta um jato urinário fraco, precisando fazer força para urinar e pode chegar a necessitar de uma sonda para esvaziar a bexiga.

Pacientes com esclerose múltipla ou lesão da medula por traumatismo ou infecção frequentemente apresentam distúrbios da micção. Podem apresentar hiperatividade vesical ou diminuição da contratilidade da bexiga de forma semelhante ao descrito acima. Além disso, o funcionamento do esfíncter que controla a micção pode estar alterado nestes pacientes. Por apresentarem distúrbios geralmente mais severos e, muitas vezes não terem sensibilidade adequada, precisam de investigação e acompanhamento urológico frequente.

No passado, pacientes com distúrbios da micção causados por problemas neurológicos tinham poucas opções de tratamento e muitos acreditavam que sua condição era consequência natural da doença e/ou do envelhecimento. A maioria dos pacientes permanecia com fraldas e incontinente ou usava sondas todo o tempo. Atualmente muito pode ser feito para melhorar os sintomas ou eliminar completamente os distúrbios do controle vesical.

Se você tem alguma doença neurológica e possui distúrbios da micção ou conhece alguém nestas condições, procure um especialista. Através de uma investigação abrangente ele poderá identificar a causa precisa dos seus problemas urinários e instituir medidas terapêuticas para combatê-los.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia