17jul/19

Hiperplasia Postática Benigna (HPB)

HPB afeta cerca de 50% dos homens acima de 50 anos

Doença pode causar redução do jato urinário, esforço para iniciar a micção, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e necessidade de urinar várias vezes à noite

A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma condição muito prevalente entre os homens. Essa alteração apresenta relação direta com o envelhecimento, presença de hormônios sexuais e genética. Cerca de 50% dos indivíduos acima de 50 anos terão HPB. Aos 90 anos, essa condição afeta cerca de 80% dos pacientes.

Embora tenha alta prevalência, nem todos os portadores de HPB apresentam sintomas clínicos. Cerca de metade dos pacientes apresentará alguma queixa decorrente dessa doença, e aproximadamente 30% dos homens necessitarão realizar algum tipo de tratamento para HPB no decorrer de sua vida.

“Cerca de metade dos pacientes apresentará alguma queixa decorrente dessa doença, e aproximadamente 30% dos homens necessitarão realizar algum tipo de tratamento para HPB no decorrer de sua vida”

O crescimento da próstata leva a obstrução de saída da bexiga e consequente redução do fluxo urinário – esse mecanismo é o responsável pelo aparecimento dos sintomas. As principais queixas desses pacientes são redução do jato urinário, esforço para iniciar a micção, gotejamento terminal, micção intermitente, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e necessidade de urinar várias vezes à noite.

Através de perguntas direcionadas, definidas por questionários específicos, o urologista quantifica a gravidade da doença, permitindo com isso uma análise objetiva do impacto na qualidade de vida do paciente. Após o diagnóstico clínico, podemos lançar mão de alguns métodos para avaliação complementar, como ecografia, exames laboratoriais e urofluxometria. Toda essa sequência é realizada no intuito de obter uma avaliação global do paciente, auxiliando na escolha do melhor tratamento para cada caso.

Atualmente, diversas opções de tratamento estão disponíveis, desde modificações dos hábitos de vida até procedimentos cirúrgicos invasivos. A escolha do melhor tratamento é realizada individualmente, de acordo com a intensidade das queixas, tamanho da próstata e comorbidades do paciente.

No tratamento inicial, além de mudanças de hábito de vida, deve-se avaliar o uso de medicamentos. Esses são capazes de relaxar a saída da bexiga, reduzir o tamanho da próstata e inibir as contrações exageradas da bexiga. A escolha da medicação depende de vários fatores, sendo que, em determinadas situações, faz-se necessário o uso de mais de um remédio.

A resposta ao tratamento clínico deve ser avaliada no decorrer de semanas a meses, variando conforme o medicamento utilizado. Na falha dessa abordagem ou em caso de recusa do paciente, dispomos de alguns procedimentos cirúrgicos que visam a desobstruir a saída da bexiga (uretra prostática), permitindo um fluxo urinário facilitado e consequente melhoria dos sintomas.

Atualmente, os procedimentos cirúrgicos estão cada vez mais avançados, pois o desenvolvimento de novas tecnologias permite um tratamento menos invasivo, mais rápido e seguro. Diversos procedimentos estão disponíveis. Esses podem ser realizados por via endoscópica (pela uretra), laparoscópica ou aberta. Podem ser realizados com aparelhos de eletrocautério convencionais ou laser, sendo esse último uma abordagem mais recente e com menores sangramentos.

O urologista é o profissional mais qualificado para conduzir pacientes com HPB, visto que, juntamente com o paciente, é capaz de decidir qual o melhor momento e a melhor forma de tratamento indicado para determinado caso. Essa avaliação é de grande valia, pois a HPB é uma doença progressiva e pode resultar na falência da bexiga (bexiga fraca), acarretando assim sérias complicações e dificultando ainda mais o tratamento do paciente.

Portanto, a avaliação urológica precoce e rotineira deve ser fortemente encorajada, pois o atraso no tratamento pode levar a sérias complicações, tornando cada vez mais difícil o tratamento desses pacientes. Além disso, esse atraso pode acarretar alterações irreversíveis no sistema urinário.

Para se prevenir e tirar dúvidas sobre o tema, a melhor estratégia é procurar o seu urologista.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

10jul/19

Reversão da Vasectomia

“Por ser uma cirurgia minuciosa e delicada, a reversão necessita de tempo cirúrgico maior que a vasectomia, geralmente de três a quatro horas”

Aproximadamente 4 a 6% dos homens que realizaram vasectomia voltam a manifestar o desejo de ter filhos. Nesses casos, a reversão da vasectomia é possível na maioria das vezes. Porém, muitos casais desconhecem que existe a reversão de vasectomia ou ainda acreditam que somente podem ser revertidas vasectomias com menos de dois anos.

Antes de realizar a reversão, o paciente deve fazer avalição urológica e exames pré-operatórios específicos para estimar a taxa de sucesso e, obviamente, a esposa deve ser fértil.

A cirurgia consiste na religação (anastomose) dos canais que conduzem os espermatozoides, os deferentes, que foram interrompidos por ocasião da vasectomia. Como os deferentes possuem diâmetros pequenos, ou seja, o diâmetro interno do deferente é na ordem de décimos de milímetro, a reversão da vasectomia necessita do emprego de microscópio cirúrgico, fios e instrumentais de microcirurgia. Por ser uma cirurgia minuciosa e delicada, a reversão necessita de tempo cirúrgico maior que a vasectomia, geralmente de três a quatro horas.

O sucesso da reversão depende de vários fatores, principalmente:

do tempo decorrido entre a vasectomia e a sua reversão, sendo melhores os resultados quanto menor for esse tempo. Por outro lado, com a evolução científica nessa área, atualmente existem muitos relatos de sucesso de reversões em vasectomias com mais de 25 anos;
do tipo de técnica empregada na vasectomia. Vasectomias que preservam melhor os deferentes, evitando lesões e ressecções extensas dos mesmos, apresentam melhores taxas de sucesso de suas reversões;
da qualidade da cicatrização do paciente;
da produção testicular de espermatozoides, habitualmente mantida após a vasectomia;
da presença de espermatozoides no líquido do deferente no intraoperatório da reversão, e de seu aspecto macroscópico;
da experiência do urologista e de sua habilidade em microcirurgia.
Quando a reversão não tiver sucesso, ou não for a opção do casal, ou a esposa não tiver indicação para gravidez – como em casos de obstrução tubária bilateral irreversível –, a fertilização in vitro por meio da injeção intracitoplasmática dos óvulos da esposa, com espermatozoides obtidos do testículo ou do epidídimo, é uma alternativa que apresenta taxa de gravidez de aproximadamente 40%.

Fonte: SUB – Portal Sociedade Brasileira de Urologia

08jul/19

A DAEM ESTA ASSOCIADA À DISFUNÇÃO SEXUAL?

Entenda a Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM)

“A DAEM afeta amplamente a função sexual do homem, diminuindo ou abolindo o desejo sexual e as ereções.”

– A DAEM no homem se inicia em qual idade? Ela interfere na sexualidade masculina? Se sim, como?

A maioria dos homens, diferentemente das mulheres, chega ao fim da vida com níveis de testosterona (hormônio masculino) dentro dos valores normais.

Entretanto de 5 a 7% dos homens após os 40 anos e 20 a 30% deles após 60 anos podem, em função de algumas doenças ou condições, ter queda acentuada dos seus níveis hormonais.

Quando isso acontece, chamamos de Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), que, além da parte sexual, afeta também outras funções do homem como: memória, raciocínio, músculos, ossos, produção do sangue, etc.

A queda dos hormônios masculinos afeta substancialmente a função sexual, causando diminuição ou falta de libido (desejo sexual), além de disfunção erétil (dificuldade de ereção).

– A DAEM está associada a alguma disfunção sexual específica?

A DAEM afeta amplamente a função sexual do homem, diminuindo ou abolindo o desejo sexual e as ereções. Consequentemente, o orgasmo e a ejaculação também ficam muito prejudicados.

– É necessário tratamento quando se detecta a queda dos hormônios masculinos?

Uma vez diagnosticada a DAEM, o homem deve ser tratado, e a testosterona deve ser reposta através de injeções intramusculares e de aplicação de soluções de gel na pele ou ainda, quando for possível, estimular a sua produção no testículo por meio de medicamentos específicos.

Paralelamente ao tratamento urológico, a psicoterapia, mais especificamente a terapia sexual, é de bastante valia no resultado final do tratamento, pois auxilia o homem a resgatar a confiança em seu desempenho sexual, abalada pelos sintomas da DAEM.

– Qual é o papel da parceira nesse tratamento?

A parceira tem um papel fundamental na recuperação desse homem com a queda dos níveis de testosterona. O conhecimento da causa dos sintomas do parceiro permite que ela compreenda que a falta de desejo e a dificuldade de ereção se devem à queda hormonal, e não a problemas no relacionamento ou outros interesses do parceiro.

Fonte: SUB – Portal Sociedade Brasileira de Urologia

 

05jul/19

INCONTINÊNCIA URINÁRIA POR ESFORÇO

O que é incontinência urinária?
É a perda de urina que você não consegue controlar. Muitos homens e mulheres sofrem de incontinência urinária. Não se sabe ao certo quantos, porque muitas pessoas não contam a ninguém sobre seus sintomas por se sentirem envergonhadas ou ainda por acharem que nada pode ser feito para tratar o problema. Por isso, elas sofrem em silêncio.

A incontinência urinária não é somente um problema físico. Ela pode afetar aspectos emocionais, psicológico e a vida social das pessoas. Muitos que têm essa condição têm medo de fazer suas atividades diárias normais para evitar expor o seu problema. Eles não podem ficar muito longe de um banheiro e evitam aglomerações de pessoas. Portanto, a incontinência urinária impede que as pessoas aproveitem a vida.

Muita gente acha que a incontinência urinária é um problema normal que surge com o envelhecimento. Mas isso não é verdade. E a incontinência urinária pode ser controlada e tratada. Converse com um urologista e descubra qual é a melhor opção de tratamento para você.

Alguns dados estatísticos
Um quarto a um terço de homens e mulheres sofre de incontinência urinária nos Estados Unidos. Isso representa milhões de pessoas. Cerca de 33 milhões têm bexiga hiperativa, uma condição que pode causar incontinência urinária.

Alguns estudos foram realizados em populações brasileiras. Em 2006 um estudo feito no Rio Grande do Sul com 848 homens e mulheres com idade entre 15 e 55 anos revelou que cerca de 18% dos participantes sofriam de bexiga hiperativa. Esses dados assemelham-se às estatísticas europeias e americanas. Um dado interessante desta pesquisa revelou que somente 27% das pessoas buscaram ajuda médica (Fonte: Teloken et al, revista European Urology, 2006). Um outro estudo organizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e pela OPAS (Organização Pan Americana de Saúde) foi realizado em sete países da América Latina e incluiu 2.173 pacientes brasileiros (Fonte: Tamanine et al, Cadernos de Saúde Pública, RJ, volume 25, 2009). Essa pesquisa incluiu apenas pessoas internadas em casas de repouso, para quem foi perguntado se alguma vez tinham apresentado perda urinária nos últimos meses. Na população de pessoas entre 60 e 74 anos, 9% dos homens e 22% das mulheres já tiveram incontinência urinária. Já, na população acima de 75 anos, a incidência aumenta para 23% nos homens e 36% nas mulheres. Finalmente, um outro estudo, feito no Programa de Saúde da Família no Estado do Mato Grosso com mulheres em idade de 34 a 57 anos revelou que as mesmas sofriam em média cinco anos antes de relatar o problema e que 61% delas nunca tinham relatado o assunto ao seu médico de família (Fonte: Rios et al, Revista International Urogynecological Journal, volume 22, 2011).

Muitas situações podem aumentar o risco de incontinência urinária, por exemplo: idade, gestações, tipo de partos (normais mais que cesáreas) e número de partos. Nas mulheres o problema tende a aumentar após a menopausa e nos homens acima de 50 anos também, com o surgimento dos problemas de próstata. Doenças como diabetes, derrames (acidente vascular cerebral) e obesidade também se associam à maior incidência de incontinência urinária.

Quais são os tipos de incontinência urinária
Incontinência urinária de esforço: é a perda de urina que ocorre ao tossir, espirrar, caminhar, correr, pular. Ocorre quando os músculos do assoalho pélvico (músculos que cobrem a cavidade inferior da bacia e sustentam os órgãos que estão no abdômen) são forçados durante esforço físico e se tornam enfraquecidos ou alongados demais. Isso leva a perdas urinárias em episódios, podendo ocorrer em gotas ou em grande quantidade. Não existem medicamentos para esse tipo de incontinência urinária e as recomendações de tratamento estão na fisioterapia e na cirurgia.

Incontinência urinária de urgência: é a perda de urina associada a um desejo súbito e urgente de urinar, que ocorre porque o indivíduo não consegue chegar ao banheiro a tempo. É o que ocorre na bexiga hiperativa, uma situação na qual o músculo detrusor (músculo que forma a bexiga urinária) se contrai involuntariamente mesmo se a bexiga não estiver cheia. Muitas vezes a pessoa tem que urinar com muita frequência e em algumas vezes a urina escapa antes de chegar à toalete. Essa condição pode ser tratada de diversas maneiras, incluindo medicamentos, estímulos elétricos com equipamentos de fisioterapia, uso de toxina botulínica e implantes de estimulares elétricos nas raízes nervosas.

Incontinência urinária mista: algumas pessoas têm os dois tipos de incontinência urinária, ou tem sintomas que podem ser dos dois tipos e chamamos esta condição de incontinência mista. Algumas vezes são necessários exames mais específicos, chamados exames urodinâmicos, que ajudam a ter um diagnóstico preciso para escolher o melhor tratamento.

Incontinência urinária paradoxal: ocorre quando a bexiga está extremamente cheia e a perda urinária ocorre por uma espécie de transbordamento; o problema nesse caso é a incapacidade de esvaziamento da bexiga, mas o sintoma é a perda de urina. É o que ocorre em pessoas que perdem a sensibilidade da bexiga e não percebem que ela está cheia. Ou ainda em pessoas com obstrução crônica, como nos homens com crescimento da próstata. Nesse caso o tratamento consiste em melhorar o esvaziamento da bexiga.

Se você acha que pode ter incontinência urinária, procure um urologista e faça uma consulta. A maioria dos casos tem solução que pode até ser muito simples.

Fonte: SUB – Portal Sociedade Brasileira de Urologia

01jul/19

Ejaculação precoce

Ejaculação precoce

Ejaculação precoce (EP), prematura ou rápida, segundo a ISSM (Sociedade Internacional de Medicina Sexual) é a disfunção sexual masculina caracterizada pela ejaculação que ocorre sempre, ou quase sempre, quando o tempo desde a penetração vaginal até a ejaculação passa a ser insatisfatório para o homem ou para o casal. Essa dificuldade gera consequências negativas, tais como: sensação de incômodo, insatisfação e/ou desejo de evitar a intimidade sexual.

Sintomas

A EP é um sintoma, e não propriamente uma doença. Sua incidência é considerada alta, ocorrendo ao redor de 30% dos homens. O principal aspecto é a insatisfação sexual, envolvendo geralmente tanto o homem como sua parceira sexual.

Causas

A EP é um problema comportamental na maioria dos casos, envolvendo um nível de ansiedade elevado, mas também pode ter causas orgânicas (ou físicas), como: prostatite, alterações relacionadas com a serotonina (hormônio que regula o humor, sono, entre outras funções), hipersensibilidade da glande e problemas da tireoide.

Diagnóstico

O diagnóstico da ejaculação precoce é eminentemente clínico, ou seja, ele é feito por me

io do relato do paciente, detalhando desde quando iniciou e com

o evoluiu, além do exame físico e, se necessário, algum exame complementar (dosagem hormonal).

A EP pode ser classificada em:

a) primária: ocorre desde a primeira relação sexual;
b) secundária: oc

orre quando já houve previamente um período de tempo sem ejaculação precoce;

c) ocasional ou situacional: ocorre às vezes ou com determinadas parceiras;

Prevenção

Muitas vezes o paciente com EP possui um perfil psicológico de ansiedade. Neste sentido, praticar atividades que aliviem o estresse e conversar com sua parceira sobre o problema podem ser úteis do ponto de vista emocional. A ajuda de um terapeuta sexual pode proporcionar excelentes resultados, inclusive a cura do problema.

Tratamento

O tratamento da EP é realizado basicamente por meio de psicoterapia sexual (podendo ser do tipo comportamental) e de farmacoterapia. Os medicamentos antidepressivos e os analgésicos de ação sistêmica ou local têm sido empregados com bons índices de sucesso e, quando existe disfunção erétil (impotência) associada, os inibidores da fosfodiesterase do tipo-5 podem ser igualmente utilizados. Há uma tendência de se utilizar a combinação de psicoterapia sexual e farmacoterapia, visando melhores resultados.

Dois aspectos fundamentais devem ser levados em conta quando se analisa a EP: a) fazer o diagnóstico diferencial entre EP e DE ou a presença de ambas; b) dimensionar o impacto psicológico que a EP possa estar causando tanto para o homem como para sua parceira.

Fonte: Sociedade Brasileira de Urologia

21jun/19

Modulação Hormonal: Cuidado!

A Sociedade Brasileira de Urologia, por meio do seu Departamento de Medicina Sexual e Reprodução, vem tornar público o apoio à nota divulgada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) reforçando o conceito de que o Conselho Federal de Medicina (CFM) não reconhece a especialidade intitulada “Modulação Hormonal”.

Esse posicionamento vem ao encontro da Resolução do CFM nº 1999/2012, segundo a qual a reposição de deficiências de hormônios e de outros elementos essenciais se fará somente em caso de deficiência específica comprovada e que tenha benefícios cientificamente comprovados. Portanto os seguintes aspectos devem ser observados:

– A reposição hormonal é um ato médico e somente pode ser feita por profissionais médicos.

– O diagnóstico da deficiência de testosterona no homem deve ser baseado na presença de queixas clínicas associadas a níveis reduzidos de testosterona. A dosagem deve ser feita pela manhã e, preferencialmente, em duas ocasiões.

– O objetivo da terapia de reposição de testosterona é a obtenção de níveis fisiológicos do hormônio e a melhora dos sinais e sintomas associados à sua deficiência. Para a segurança do tratamento, exige-se um adequado monitoramento da terapia de reposição.

– A reposição de testosterona para níveis suprafisiológicos, isto é, acima do nível terapêutico com objetivo de melhora de rendimento esportivo e/ou aumento de massa muscular, está associada a diversos efeitos colaterais, os quais podem ser irreversíveis, colocando em risco a vida do paciente em curto prazo e gerando complicações de longo prazo.

Departamento de Medicina Sexual e Reprodução da Sociedade Brasileira de Urologia.

Para se prevenir e tirar dúvidas sobre o tema, a melhor estratégia é procurar o seu urologista.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

17jun/19

O que é estenose de uretra?

A doença urológica estenose de uretra

Saiba o que é a HPB e a estenose de uretra e por que uma pode levar à outra

A estenose de uretra, problema que acometeu recentemente o presidente Michel Temer, ocorre em cerca de 8% a 15% dos pacientes que fazem a cirurgia para tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB), de acordo com a literatura médica. A intercorrência é uma complicação da cirurgia que promove a raspagem da próstata para diminuir sua pressão sob a uretra, canal condutor da urina.

O tratamento para HPB pode ser feito por via endoscópica ou abdominal (esta por meio de cirurgia aberta, videolaparoscópica ou robótico-assistida), dependendo do volume prostático. Em qualquer uma das opções escolhidas, há manipulação do canal urinário (uretra) e pode haver reação cicatricial exacerbada, provocando estenose (estreitamento) uretral. Como o procedimento endoscópico realizado no presidente pode demorar entre 1,5h e 2h, a uretra fica forçadamente alargada pelo calibre do aparelho, o que já pode gerar um trauma local.

Uma das complicações da estenose é causar retenção de parte da urina na bexiga, esse resíduo pode causar infecções urinárias de repetição, cálculos vesicais (na bexiga), prostatites (infecção na próstata), orquites (infecção dos testículos) e pielonefrites (infecção dos rins). Por isso seu tratamento é mandatório.

Ocorrendo a estenose de uretra, como no caso do presidente Michel Temer, é preciso lançar mão de um segundo tratamento, a dilatação uretral ou a uretrotomia interna. Enquanto no primeiro são necessárias algumas sessões nas quais a uretra vai sendo alargada progressivamente por sondas maleáveis (de silicone) ou metálicas, no segundo o procedimento endoscópico faz um corte em toda a extensão da estenose e é preciso usar uma sonda vesical por cerca de 15 dias como ‘molde’ para a cicatrização não ser novamente exacerbada.

A uretra é um órgão potencialmente contaminado. A necessidade de uso de sonda leva a um risco aumentado de infecção.

Conhecendo a hiperplasia

A HPB é uma doença que acomete cerca de 50% dos homens após os 50 anos. Entre os sintomas estão: dificuldade de urinar, jato urinário fraco, sensação de que a bexiga não foi completamente esvaziada, aumento do número de idas ao banheiro durante a noite e vontade incontrolável de urinar. Em alguns casos, a HPB pode acarretar presença de sangue na urina, infecção urinária de repetição, cálculos na bexiga, retenção urinária e insuficiência renal.

O tratamento da HPB é inicialmente realizado com medicamentos, caso haja refratariedade ou algum agravo, o tratamento cirúrgico passa a ser uma opção. O grande objetivo do tratamento é a proteção do sistema urinário, evitando lesões nos rins e melhorando a qualidade de vida.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia.

10jun/19

Câncer de bexiga: tabagismo é principal fator de risco

O câncer de bexiga é o décimo primeiro tumor mais prevalente na população – acomete mais frequentemente homens. Seu aparecimento e o risco de levar a óbito são afetados diretamente pelos hábitos de vida dos pacientes. O tabagismo é o principal fator associado ao aparecimento dessa doença. Outras condições, como exposição a substâncias tóxicas presentes em derivados do petróleo e tintas, também aumentam esse risco.

Em cerca de 75% dos casos esse diagnóstico é realizado em uma fase inicial, sendo possível um tratamento com maiores taxas de cura e menores riscos. O principal sinal desse tumor é o aparecimento de sangue na urina. Além desse, sintomas como irritação na bexiga e necessidade de micção com urgência são outros achados que indicam investigação.


“O tabagismo é o principal fator associado ao aparecimento dessa doença. Outras condições, como exposição a substâncias tóxicas presentes em derivados do petróleo e tintas, também aumentam esse risco”


Diante da suspeita, inicia-se a investigação com exame microscópico de urina e de imagem. Entre eles, a ecografia (ultrassonografia) é a primeira forma de avaliação, servindo muitas vezes como triagem inicial. Embora esse exame tenha bons resultados, alguns pacientes necessitarão complementar a investigação com a realização de uma urotomografia computadorizada, que permite uma ampla avaliação do trato urinário inferior e superior.

Além desses exames, em pacientes com fatores de risco, diante da suspeita de tumor de bexiga, está indicada a realização de cistoscopia (exame endoscópico que visualiza toda a camada interna da bexiga). Caso apresente alguma alteração, pode ser realizada biópsia.

Tratamento

Uma vez diagnosticada a presença de uma lesão suspeita dentro da bexiga, o próximo passo é a retirada dessa área. Portanto o diagnóstico definitivo de câncer de bexiga só ocorre após essa avaliação patológica. Atualmente esse processo é realizado por meio de um aparelho introduzido pela uretra, chamando-se de ressecção transuretral (RTU).  De acordo com a análise patológica, essa RTU inicial pode ser suficiente para o tratamento. Já alguns casos podem necessitar de nova ressecção para melhor avaliação da doença.

De acordo com a análise patológica dessa nova ressecção (Re RTU), um tratamento complementar com uso de medicamentos intravesicais pode ser necessário. O mais frequente é o uso de solução de BCG intravesical, por um período que varia de seis semanas até três anos.

Em cerca de 25% dos pacientes, esse procedimento evidencia a presença de uma doença mais grave, invasiva, com necessidade de tratamentos mais complexos. Nesses casos, determinados como músculo invasivo, a retirada completa da bexiga (cistectomia radical) é considerada o principal tratamento com intenção curativa.

Alguns tumores músculo-invasivos podem ser tratados com a preservação da bexiga, através de uma RTU extensa associada a radioterapia e quimioterapia. Mesmo sem a retirada completa da bexiga, esse tratamento também pode ser curativo.

Outro dado muito importante é o seguimento, visto que esses pacientes possuem um risco de voltar a ter tumor na bexiga. Portanto serão classificados de acordo com esse risco. Os exames que serão necessários no acompanhamento do paciente podem variar em cada caso.

O diagnóstico precoce e o tratamento rápido aumentam as chances de cura da doença, assim como o seguimento adequado prolonga a vida dos pacientes.

07jun/19

Ansiedade de desempenho e disfunção sexual masculina

“O homem sobrevive a terremotos, epidemias, os horrores das doenças, e todas as torturas da alma, mas a tragédia mais atormentadora de todos os tempos tem sido, é e será a tragédia da cama” – célebre frase do escritor russo Liev (Leon, em português) Tolstói (1828-1910), de tempos antigos, porém válida na atualidade. O passado relutando em ficar onde deveria estar.

Quando proferida a frase, acredito que Tolstói estava falando da “impotência” (ou disfunção erétil – DE). O homem acredita, durante grande parte da sua vida, que pode manter o mito da “máquina masculina”. O homem com dificuldade de ereção foge de qualquer contato, para não lidar com a angústia do fracasso. Em alguns casos, pode até perder o desejo sexual como processo de defesa ao risco da falha. Pior que falhar é a possibilidade de falhar.

Geralmente, a DE psicogênica afeta homens mais jovens, porém, muitos também já na maturidade, que relatam ereções matinais, noturnas e na masturbação. Falam também de um comprometimento de desejo sexual (possível mecanismo de defesa) e que seu problema apareceu de maneira súbita (são capazes de relatar o momento específico em que iniciou o problema). Muitas vezes, um eventual fracasso traz ansiedade de desempenho, o que leva a um novo fracasso, instalando-se um ciclo vicioso: falha à antecipação do fracasso à expectador à angústia crescente à organismo desliga à falha.

Tolstói, se ainda tivesse entre nós, poderia estar pensando também na tragédia que vivem os jovens com ejaculação precoce (EP). “Eu sou apaixonado por uma colega da faculdade e sei da reciprocidade, porém não a namoro, pois tenho EP e ela pode contar para os colegas.” Quanta ignorância! – no sentido de ignorar o universo feminino.

Os jovens são os maiores prisioneiros do “Princípio de Rendimento”, que é a forma do princípio de realidade da sociedade moderna, dita por Herbert Marcuse. Como serem livres para a vivência de sua sexualidade se estão presos ao sexo performático ou mercadológico? Uma das frases que guardei de meu guru, Wolber de Alvarenga, traduz muito bem isso: “Quando me avalio, peso, meço e comparo, eu estou tendo uma relação de mercadoria comigo mesmo. Se eu me amo, eu não me vendo.”

Interessante que, mesmo depois de se ter um avanço extraordinário na medicina sexual, particularmente na sexualidade masculina, ainda há muitos homens com disfunção ligada à ansiedade de desempenho (ou de performance).

Casos identificados como psicogênicos devem ser tratados por um profissional especializado em medicina sexual, que utilizará a terapia comportamental-cognitiva (de curta duração) como base da terapia sexual. O médico, nesses casos, poderá utilizar medicação oral como terapia coadjuvante, conseguindo mais aderência ao tratamento e resultados mais rápidos. Psicoterapia e farmacoterapia são coadjuvantes essenciais do processo de cura.

Para se prevenir e tirar dúvidas sobre o tema, a melhor estratégia é procurar o seu urologista.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia

05jun/19

Câncer de pênis: um problema brasileiro

Doença pode ser evitada com higiene adequada, prevenção de DSTs e tratamento da fimose

O câncer de pênis constitui neoplasia rara em países desenvolvidos, contrariamente ao que ocorre em regiões de baixo padrão socioeconômico como Paraguai, norte da Argentina, norte e nordeste do Brasil e alguns países da África e Ásia. Acometem em geral indivíduos com mais de 50 anos de idade e são atribuídas como causas: as altas taxas de infecções sexualmente transmissíveis, principalmente do vírus HPV, a má higiene, a presença de fimose.

“Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose”

Mulheres de parceiros portadores de câncer de pênis têm maior tendência a desenvolver câncer do colo do útero. Pacientes portadores desse tumor têm qualidade de vida afetada pela lesão genital, que apresenta crescimento contínuo. O tumor exala mau cheiro e secreções que incomodam sobremaneira. A evolução desse quadro marginaliza o paciente de suas companheiras e mesmo socialmente.

A lesão, quando não tratada, progride localmente, destrói o pênis e se espalha pelo corpo. Quando apresenta metástases (tumores a distância), a morte ocorre em geral dentro de um ano. Na fase inicial o tumor tem cura e, por essa razão, o diagnóstico de lesões no pênis deve ser feito precocemente. Toda lesão peniana que não regride rapidamente com medidas habituais deve ser estudada com biópsia.

Estabelecido o diagnóstico, deve-se avaliar a extensão da moléstia no corpo por exames especializados (ressonância magnética, tomografia etc.) e o tratamento instituído rapidamente. Este varia de acordo com as características locais e a presença/ausência de metástases. Assim, pequenas lesões podem ser retiradas ou cauterizadas e as maiores podem necessitar de amputações. Tendo-se em vista a gravidade que representa o câncer de pênis, as mensagens mais importantes a todos são representadas pela prevenção e o tratamento das lesões em fases iniciais.

Pode-se prevenir o câncer de pênis com medidas eficazes: higiene genital, prevenção de doença sexualmente transmissível (notadamente HPV) e o tratamento cirúrgico de portadores de fimose.

Para se prevenir e tirar dúvidas sobre o tema, a melhor estratégia é procurar o seu urologista.

Fonte: Portal da Sociedade Brasileira de Urologia